20070707

pedra sem pudores

e quando percebi já estava sozinha de novo, minha amiga foi-se na bicicleta com ele, como passageira, depois de uma rápida volta na praia à noite. medinhos ocasionais. santos!, estamos em santos!, dissemos o dia inteiro. mal nos incomodava a praia cheia, sentávamos nos bancos e as crianças gritavam, foda-se, é a praia, é santos. mas voltou tudo ao normal, sozinha pelas ruas de novo, aqui ninguém nunca está comigo. voltar para casa? ainda eram onze e meia, tinha levado a chave para justamente poder chegar mais tarde e não ter de falar alterada com a avó (aquela lá é bem capaz de me esperar acordada, todas as séries televisivas fazem-lhe mal, sabem). sem condições. fui andando, fumei um cigarro. quando cheguei quase na esquina do estrela-ouro, percebi que ainda não se passara muito desde as onze e meia, e virei subitamente a esquina em direção ao rockabilly.
pedi uma bohemia long neck e um hambúrguer com rúcula, tomate seco e mussarela de búfala. havia também uma tv de plasma widescreen, primeiro futebol, depois jornal da noite. às vezes é bom fazer as coisas sem companhia, pensei. os caras atrás de mim falavam de posições sexuais. mas quando eu vou comer uma mina... a cerveja deu uma lombradinha a mais, pensei que naquele instante minha amiga já devia estar na casa dele, e parei por aí.
mas a jukebox começou com bohemian rhapsody, e eu senti que aquele devia ser o grande auge da minha vida. ou o fundo do poço.

3 xxx:

Carla disse...

agora começo a ficar assustada: também faço dessas de sair e beber sozinha e sempre fico em dúvida se cheguei realmente ao fundo do poço.

normalmente, aparecem uns conhecidos pra me fazer pensar que eu estava melhor sem companhia alguma.

Anônimo disse...

Sei não, mas a segunda opção me parece mais acertada.

Beatrix Miranda disse...

eu sempre me imagino dali a quarenta anos, no mesmo bar, cheia de rugas e um perfume forte demais, tomando a mesma cerveja e mal aguentando segurar o cigarro com a cinza enorme.