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20070721

harry potter & a outra dimensão

confesso que, como é desde os onze anos de idade, tou ansiosa pra ler harry potter de novo. que bosta. da última vez, há dois anos, passei duas madrugadas inteiras lendo o half-blood prince em inglês no microsoft word. tinha alucinações, meus olhos secavam e se enterravam nas órbitas, mas eu não parava. não - a integridade de um obsessivo não pode ser ferida, então, se comecei esta ladainha aos onze anos de idade, tenho de terminá-la aos dezoito com a mesma dignidade de antes. ou seja: hesito entre ir agora mesmo comprar a merda do livro ou abrir o arquivo em pdf que acabei de receber. ia ao lançamento na fnac ontem às oito da noite, mas... ah. a noite não estava propensa a programas mais longos que o caminho até a padaria e outro maço de cigarros.
isso porque tinha de estar trabalhando nos cem desenhos de observação que tenho de entregar quando as aulas voltarem. só que mais uma vez, com um golpe de sorte no meu grande rabo, a data de entrega foi adiada e posso aproveitar mais um bocadinho os últimos momentos de férias ociosas, em que fazer testes estúpidos e ler harry potter significa o mundo todo.
enquanto isso...

(17:32) (li) Lord Gabe MacArthur: a cada minuto que vc ficar fora, é um spoiler
(17:32) (li) Lord Gabe MacArthur: snape é o novo diretor de hogwarts
(17:33) (li) Lord Gabe MacArthur: o harry perdeu um braço

o resto não li porque fechei a janela em desespero. mas depois fiquei sabendo que só cinco dentre os muitos que recebi são verdade. o harry perdendo um braço seria empolgante! e todo mundo tem que morrer pra essa merda não ter possibilidade de continuar. a não ser que me apareça a j. k. rowling com harry potter & a outra dimensão.


sim, sou alienada e não vou dizer nada sobre desastre em congonhas, nem morte de acm, nem exposição de cartazes produzidos durante o período de greve da faculdade. já vi e discuti o suficiente sobre estes assuntos, e, lamento imenso, este blog não é sobre a minha decepção com o país em que vivo. o silêncio aqui não tem papel de vista grossa, mesmo eu não tendo talento algum para politizadora e militante das massas oprimidas - eu só acho as notícias tão absurdas que seria redundante ficar apontando e lembrando como estamos na merda. não quer dizer que não tenha opinião sobre nada disso. o silêncio é só o meu cansaço. eu não acho que posso mudar o brasil. algumas pessoas nascem pra isso, vivem, morrem, mas não eu; falo aos eternos deslumbrados com a vida e o mundo, que sabem ser completamente inúteis para mudar as estruturas concretas - concretas: ainda há o objetivo de sensibilizar - das coisas e fascinados demais com tudo para sequer tentar fazê-lo. eu sou do tipo que conta as histórias, fantasia, fabula, pinta e colore, não importa se é feio, se é grotesco, se é desesperador. tudo é sentimento, e belo por isso. sou do tipo que leva a vida como ela me leva, decisões que vêm de impulso e entranhas, nunca nada verdadeiramente racional, sempre apaixonada pelo que me acontece pelo caminho, mas sem realmente saber como cheguei lá. mudar a história não é comigo. prefiro falar de harry potter.

20070707

pedra sem pudores

e quando percebi já estava sozinha de novo, minha amiga foi-se na bicicleta com ele, como passageira, depois de uma rápida volta na praia à noite. medinhos ocasionais. santos!, estamos em santos!, dissemos o dia inteiro. mal nos incomodava a praia cheia, sentávamos nos bancos e as crianças gritavam, foda-se, é a praia, é santos. mas voltou tudo ao normal, sozinha pelas ruas de novo, aqui ninguém nunca está comigo. voltar para casa? ainda eram onze e meia, tinha levado a chave para justamente poder chegar mais tarde e não ter de falar alterada com a avó (aquela lá é bem capaz de me esperar acordada, todas as séries televisivas fazem-lhe mal, sabem). sem condições. fui andando, fumei um cigarro. quando cheguei quase na esquina do estrela-ouro, percebi que ainda não se passara muito desde as onze e meia, e virei subitamente a esquina em direção ao rockabilly.
pedi uma bohemia long neck e um hambúrguer com rúcula, tomate seco e mussarela de búfala. havia também uma tv de plasma widescreen, primeiro futebol, depois jornal da noite. às vezes é bom fazer as coisas sem companhia, pensei. os caras atrás de mim falavam de posições sexuais. mas quando eu vou comer uma mina... a cerveja deu uma lombradinha a mais, pensei que naquele instante minha amiga já devia estar na casa dele, e parei por aí.
mas a jukebox começou com bohemian rhapsody, e eu senti que aquele devia ser o grande auge da minha vida. ou o fundo do poço.