comecei ontem a ver horários duplos novamente. esse hábito tão estranho e involuntário havia começado há uns meses, e por acaso a minha vida estava correndo com uma sorte tremenda - daquele tipo de se desconfiar que seja tudo parte de uma grande piada maior e só estamos à espera do momento certo para o punchline. mas desde o começo de agosto eu não bati mais o olho no relógio e vi lá os números repetidos (algumas vezes acontecia de ser 15:14 e no momento em que pegava o celular ver o número virar para 15), e também por acaso minha vida desabava em alguns aspectos.
as pessoas enlouqueceram, lela, só nós é que permanecemos na sanidade. não é tão ridículo, tão transparente e inacreditável?
meus pés estão pegajosos de pedra sabão. passei o dia com grosas, abri ferimentos nos dedos por conta de escorregões, depois foram 32 lixas e um pó que revestiu minhas narinas e garganta, manchou minhas roupas e embranqueceu meu cabelo. calculo que ainda vou levar três dias inteiros até chegar na etapa de botar fogo e passar a cera (no kidding), eu simplesmente tinha de pegar a maior pedra do monte, não é? mas estou muito feliz, apesar de apertada com o prazo, tenho algo parecido com uma concha e um molusco saindo por baixo. claro que só descobri isso depois de bater na pedra durante outros três dias, tentando perceber alguma forma, tentando acompanhar os movimentos e rachaduras. o que poderia dizer é que, ao invés de uma concha propriamente dita, a pedra possui movimentos de concha. formações espiraladas, bicos, reentrâncias, veios. um trabalho do caraças para lixar, devo dizer. mas a satisfação compensa tudo - nada melhor do que ver-se ali, tão puro como nunca se imaginava, levar matéria à vida!
além disso, há o projeto de releitura das cartas de tarot, no estilo de cada um da classe. eu, como faltei tipo... ham... mais de uma semana quase seguida à faculdade, perdi o dia do sorteio. dizem que foi um momento intenso, quase todos tiraram uma carta que o resto da classe olhou e disse pode crer!. sobraram, para mim e para o lucas, a Rainha de Copas e O Imperador. eu tinha certeza absoluta de que ia tirar a Rainha de Copas. mas não - foi a outra. e talvez tenha mesmo sido melhor. se tivesse puxado a Rainha, corria o risco de acabar sofrendo uma influência demasiado forte, por assim dizer, de alice no país das maravilhas. O Imperador, creio, é um desafio, algo que não faria normalmente, e o significado dele é algo em que se pensar: o equilíbrio entre agressão e empatia, saber ser um líder conciso e forte o suficiente para conquistar a confiança das pessoas e ao mesmo tempo entendê-las em sua individualidade para conseguir intermediar os conflitos que inevitavelmente surgirão com o caminho. a referência para o trabalho vai ser o tarot de marselha, feito a partir de xilogravuras do séc. XVIII, com os símbolos característicos fixos de cada carta. no meu caso, são o trono (que comumente é feito de pedra), o cetro, o orbe, uma cabeça de carneiro, por causa da relação com o signo de áries, e às vezes uma águia.
quando ficar pronto (antes do dia 15, espero) posto aqui.
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20070920
21:21
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