20080331
20080325
daquele site lá de letras

como brasileira, eu enfrento um dilema: sinto-me bem por fazer parte da nata elevada e ter mais chances do que o resto, ou sinto-me mal pela média do nosso país ser tão inacreditavelmente medíocre? de qualquer maneira, é uma vergonha, assim como a juventude ter estagnado em legião urbana desde os anos oitenta. e pensando de novo, esse ranking foi montado pela população internauta brasileira, que já não é um número tão grande apesar de mais abastada, ou seja - a preferência geral da nação apática cai em coisas ainda mais baixas, tipo... o créu.
ontem estive pensando seriamente em sair daqui. amo são paulo, quero morar nela durante alguns anos (um já foi), mas sinto que não é a paragem final. eu não pertenço a este lugar, ele não é pra mim, mesmo me sabendo perdidamente brasileira. life is elsewhere.
20080322
el robot attaaaaack
há mais ou menos três semanas eu entrei numa nóia de que iria perder meu celular dentro de pouco tempo, e por isso tinha de anotar os números em qualquer outro canto, caso o dano fosse tal que não permitisse recuperar a agenda. tive a sensação de que chegava a hora de algo acontecer. peguei num caderno e caneta, comecei a escrever.
fui até a letra G. fiquei com preguiça depois de me dar conta que havia quase o triplo de contatos cujas letras iniciais estavam entre L e P (e mais R), o que significava que ia levar ainda muuuuito tempo até passar tudo a limpo. amanhã eu faço, pensei. aham.
num dia aleatório da semana seguinte eu estava com uma garrafa de água no meu quarto, aqui ao meu lado. desastrada como sou (só dentro de casa - é um fenômeno curioso, sinto que sou espaçosa demais pra quatro paredes), bati a mão na garrafa. ela ficou um segundo virada, mas foi o suficiente pra que se formassem várias poças em cima do revestimento de plástico já com goivadas que por sorte não atingiram a madeira. fui à cozinha pegar um pano e enxugar aquilo, antes que escorresse pra algum aparato eletrônico.
o problema foi que eu não vi uma das poças que estava bem ao lado do meu celular.
eu o abri, tirei a bateria, tirei o chip, sequei - mas já era tarde. a água enfiltrara-se lá dentro e ele foi morrendo aos poucos. primeiro a tela, depois as luzes do teclado entraram em curto. ainda ligava, mas na manhã seguinte, quando o peguei em minhas mãos, senti que estava gelado. nunca mais deu outro sinal de vida.
levei uma semana até tomar vergonha na cara e ir comprar outro. domingão de chuva fui eu andando até o shopping paulista. a loja da TIM é praticamente escondida, e esperei vinte minutos sentada no pufe cúbico até que o atendente lindo, em quem eu estava de olho desde que entrara, me chamou.
- então, aconteceu o seguinte, ---------- e vou fazer tudo de novo, do zero, outro conta, outro número (desta vez de são paulo), outro aparelho.
- ok, você me empresta o RG, CIC e comprovante de residência?
- haaa, comprovante de residência?
- é, é o procedimento pra pós-pago.
- ...eu volto amanhã.
ainda bem que depois encontrei a carol e o chico pra um choconhaque ali ao lado, senão teria ficado fodida por perder a viagem, e ainda pensar que talvez amanhã não pegasse o atendente lindo.
de fato... foi um gordo com uma pele meio escamosa chamado tiago quem me atendeu no dia a seguir. fiquei mais ou menos 2h esperando o procedimento todo, que estava algo precário porque a loja estava sem sistema há dias. o que era pra ter levado 10min, durou 1h30. a pior parte foi escolher dentre os aparelhos. eu gostava do meu V3i, era um intermediário entre os que só fazem ligações e os que passeiam com o seu cachorro, e ainda era flip top - detesto teclados desprotegidos, tem que ficar bloqueando e não tenho paciência pra isso.
eu não sei o que se passou. depois de ver e rever exaustivamente vários modelos e percebendo que eu só me atraía pelos salgados, acabei escolhendo um que tinha o preço médio entre os mais baratos e os mais caros - o que não significa que foi pouco. quase over the top, eu diria, mas só quase. ele é de slide! nem sei se é esse mesmo o termo, mas é tão divertido dizer sliiiiiiiiiide...
saí da loja e fui à praça de alimentação. enquanto terminava de comer, vi que a quarentona da mesa diagonal acendera um cigarro na maior cara de pau. acho que é proibido fumar em shopping há uns dez anos, então nunca pude aproveitar a época de ouro. a princípio fiquei com invejinha da ousadia dela. depois percebi que não ia demorar muito até vir alguma das mil faxineiras dizer que era proibido e apontar o lixo mais próximo. só que não! ela fumou tranquilamente e ninguém apareceu.
minha refeição teria sido muito mais feliz se fosse encerrada com um cigarro, pensei.
aliás, toda a experiência shopping seria muito mais feliz se incluísse cigarros here and there. depois de esperar 2h ouvindo uma musiquinha irritante e torcendo pra que a mulher viesse me atender do outro lado da linha no próximo instante, acho que toda ansiedade foi canalizada e pronto - um surto de compra. gastei uma porrada de dinheiro numa merda de um celular.
é assim que os centros comerciais obtêm seus maiores lucros: eles privam os fumantes de nicotina e do ato de fumar durante umas horas e transformam-nos em shopaholics momentâneos em potencial. ingênuos os que acham que é só uma questão de saúde pública...
e eu ainda estou em choque com o tanto de tecnologia que carrego em minhas mãos. depois do contador de passos pensei que não podia haver mais nada - pois sim, ele é agora também o meu mais novo controle do windows media player! onde este mundo vai parar? temo muito tudo isso. não quero ser corrompida! que diabo, eu até que estava feliz sem celular. odeio estar gostando tanto, isso tudo é tão fútil e supérfluo que eu me sinto culpada carregando um troço assim no bolso enquanto vejo gente morrendo de fome nas ruas. mas o que eles ganhariam se eu tivesse comprado um celular mais barato?
ganhei também um zippo novo. é gravado, como o outro, só que dos dois lados e com um padrão ornamental de ramos que me faz pensar que ele pertenceu a algum barão do café do séc. XIX, apesar dos zippos só terem surgido na década de 30 do século passado. ele é mais feminino que o outro de flocos de neve, mas este, por enquanto... simplesmente me parece uma sombra, uma invocação, uma aparição do desaparecido silent night, tentando cobrir a lacuna com o mesmo brilho, formato e clique, but it's not quite the same... como um tributo, uma homenagem à lembrança do antigo. vamos ver se isso se dissolve com o tempo.
20080320
mais uma.
20080319
balanço do dia: 10527 passos, ou 9.6km
esse contador de passos que existe no meu celular novo vai revolucionar minha vida.
20080316
love bravenet
interessante ir lá checar os referrers (sempre há algo estúpido do tipo busca por "sexo gays alemães", "hbo masturbação"), e qual não foi minha surpresa ao me deparar com...
"por quem a trixie ta apaixonada".
só falta saber se é a trixie do speed racer ou a dos padrinhos mágicos.
20080315
from my window
20080310
20080308
artrópodes do Instituto de Artes
aquele lugar possui uma biodiversidade incrível. vira e mexe cai um bicho bizarro no meu ombro, e resolvi ir fazendo uma pequena coletânea deles - porque quando mudarmos para a barra funda cinza e industrial, eles não nos acompanharão.
uma das primeiras - a mariposa que repousou numa planta do átrio durante quase um mês.
esta é das borboletas mais comuns...
...e logo já vem outra.
eu apaixonei-me por esta aranha minúscula e transparente.
no começo ela ficou meio cabreira. escondia-se e tal, pulava na minha câmera...mas depois que percebeu que não lhe faria mal, até começou a posar e deu-me esta foto, uma das minhas preferidas dentre as que tirei de aracnídeos. ela realmente interage com o observador.
tags: artrópodes
self-portrait II
20080305
20080301
20080227
take-- the oregon short line to salt lake
o intervalo entre 03:22 a 5:01 de mason city. e por que não o blueberry boat inteiro? ouçam. não é possível descrever o conto de fadas sinistro que é esse álbum esquizofrênico. é ele que tem me salvado sucessivamente na última semana. tenham paciência - algumas músicas vão mesmo parece dignas de se passar, mas de repente aparece um piano dissonante irresistível que faz valer a pena absorver os barulhos irritantes e refrões um pouco enjoativos. no fim tudo se funde, e cada parte de blueberry boat torna-se harmônica e essencial. ou quase - o clímax é no começo, o que acaba fazendo de faixas como 'birdie brain' dispensáveis depois das mind-blowing 'quay cur' e a faixa-título. chris michaels e mason city estão algo no meio, um bocadinho ressacadas, mas devo dizer que adoro todas as mudanças aparentemente sem sentido de andamento e melodia, e em especial o trecho em particular que citei no começo. se bem que é injusto falar de um trecho só com tantas passagens out of the blue que pintam cenas que não pensava serem possíveis... o álbum terminaria muito bem em 'turning round', mas 'wolf notes' acabou por ser um anexo adorável. depois de alguns anos a ouvi-lo, em viagens, antes de dormir, dormindo, enfim, em diversas situações, ele ainda me surpreende e encanta, primeiro deixando minha mente vazia para depois enchê-la com histórias esquisitas que sempre estiveram perdidas nalgum lugar da minha memória.
20080225
maybe we're the aliens
a comunidade da banda tam! no orkut contava com quatro pessoas: eu, william, giovana e beano (ou murphy, ou... o seu nome verdadeiro que já não me lembro qual é). o william havia me passado uma música deles há anos, chamada aliens, e tínhamos plena certeza de que éramos os únicos a conhecer a banda - até encontrarmos... o murphy. ele é um verdadeiro music geek. não tem mesmo mais nada pra fazer a não ser ficar digitando qualquer coisa no soulseek e lotando o HD. conversando com o sujeito, descobri que ele também só tinha as mesmas músicas que eu - aliens, a versão normal E acústica - e havia criado a comunidade pra ver se alguém mais conhecia. qualquer outra coisa era impossível de se achar. só sabíamos que a banda realmente existia porque havia uma citação ou outra pelas páginas gringas (três no máximo). uma delas dizia que o nome tam! era por causa do frontman, tam treaner; isso nos dava forças para continuar em frente. já éramos três, desesperados por qualquer informação que fosse do maldito tam!, quando surgiu lá do nada a giovana, uma antiga amiga e bandmate minha.
eu na época já estava fodida com ela por causa de fiery furnaces (longa história, eu juro, não foi tão idiota quanto parece) e achei o cúmulo ela começar de novo com a mesma coisa, agora com tam!. o que ela conhecia deles? só aliens, também. não havia muito mais que fazer dessa vez.
passaram-se os anos.
um dia desses, na casa do will, puxei o assunto da música. ele me disse que havia visto um vídeo uma vez, mas nunca mais achou de novo. eu pensava que eram só os delírios dele - até agora de pouco.
TAM! - aliens (vídeo)
mas a história não acabou nisso, na verdade - pouco tempo depois, eu voltei à casa do will. estávamos conversando e ele disse algo como:
- aaaah mas a saraiva num é tão ruim tótinha, eu encontrei o cd do tam! lá
- QUEEE CD DO TAM!?
- o que eu tenho aí! foi dele que eu tirei aliens mano, comprei na saraiva um dia do nada, nem sabia o que que era HAUhuahauihIUua
- VOCÊ NUNCA ME DISSE QUE TINHA UM CD DO TAM!.
- aaaah é que eu num curti tanto as outras músicas, só aliens
- deixa-me ouvir agora!!!!
(...)
- hmmm... é mesmo uma merda. ainda bem que eles botaram aí uma reprise acústica de aliens.
20080221
20080219
pessoas que metem . - ' e afins no começo do nick do msn só pra aparecerem no topo da lista:
faço questão de não falar com vocês exatamente por esse motivo. saibam que estão todos juntos no meu grupo Z.
20080216
20080126
20080123
03 .10 . 06 - 22 . 01 . 08
20080117
sonhos
08.01.08
tatuando o antebraço esquerdo INTEIRO com flores. meu escaravelho não existia. arrependi-me ao meio do processo.
09.01.08
eram cinco da manhã. rivalidade(?). mamã fez gelatina com ingredientes estranhos para alguém, eu fiquei com ciúmes e a mandei fazer não sei quê. muitos meios-irmãos. um dia, cheguei em casa (de minha tia) e estavam todos contra mim e um irmão menor - acho -, esperando com uma emboscada. eu tomei a dianteira para lutar e protegê-lo. eles haviam convencido uma meia-irmã que sempre foi sussa a se voltar contra nós também, mas eu sabia algo de importante sobre eles que me dava vantagem porque havia ouvido sem querer noutra ocasião (sonho). guerra, guerra, guerra. peguei as pedras do volpi (meu labrador de campinas que tem a mania de pegar as pedras do vaso e deixá-las pelo chão) para jogar nos meus meios-irmãos, atiraram-me tachas na nuca com uma máquina. senti cada uma delas entrando surdamente e se alojando perto das minhas vértebras. caí na entrada do corredor.
- enquanto tou caída é covardia!
momento de suspensão. eu me levantei rapidamente e peguei muitos talheres pra me defender, planejando jogá-los. uma meia-irmã veio pegar um garfo e uma faca da minha mão pra comer a sobremesa, ao que gritei EI!, e depois - ha é, você tá do nosso lado né, sempre. - YAH mas não conta pra eles.
eles = um menino e uma menina.
até que vieram todos do nada pegar meus garfos e facas pra comer sobremesa, e eu HÃN?, como, sobremesa, agora?, até que só sobrei com talheres de plástico ridículos.
- ok, isto é estúpido, devo estar sonhando.
16.01.08
uma sala gigantesca com piso de calçada, no que me parecia uma situação pós-apocalíptica de alguma espécie - carteiras viradas, objetos e ferramentas improvisados com outros objetos, e, ao meio, uma grande caixa cercada que servia não para proteger o que estava dentro - e sim os que estavam lá fora. todo mundo assustado, vozes chorosas, lamentos. uma pessoa ou outra às vezes me vinha perguntar se podia abrir a caixa, ao que eu lhe respondia energicamente:
- não!, e já expliquei MIL vezes o porquê! daqui a um tempo vocês estarão comendo os cérebros um do outro, é inevitável, e você AINDA quer abrir a merda da caixa? ora, por favor!
a pessoa calava-se, abaixava a cabeça e ia andando. num canto da sala estavam minha mãe e meu irmão, ele nadando numa pilha de lixo a emporcalhar-se todo, e ela gritando que ele ia ficar muito sujo.
- bia, o que faço com seu irmão? ele não sai daí, essas manchas depois...! E AS POMBAS?
olhei para o lado. as maiores pombas que já vi na minha vida, com mais ou menos um metro de envergadura, voavam e enfiavam a cara num outro monte de lixo enquanto batiam as asas com sofreguidão. estavam todas feridas, ensanguentadas, com as penas meladas e duras.
chegamos a comer os cérebros?
dentro de um carro, com a mãe também.
- não, por aí NÃO mãe, olha a porra da briga de skinheads ali à frente!
muitos rostos retorcidos, carecas e mais sangue. um deles se jogou no capô do carro.
encontrei, depois de 9 anos, um menino insuportável com que fazia catequese no patronato são francisco, e com quem nunca tive o costume de conversar - o caio.
- bia, quanto tempo!, a gente precisa fumar um e trocar idéia um dia desses.
- ha yah... (será que tenho tanta cara de maconheira assim?)
as termas! vapor imenso. estava eu lá me segurando na beirada de uma cachoeira artificial altíssima quando resolvi me soltar. qual não foi minha surpresa por não ter caído durante minutos pra depois atingir a água... e sim escorregado pra sempre numa ladeira de conchas gigantes sobrepostas (com o lado côncavo pra cima, de modo que cada concha era um escorregador curvo individual) dentre as muitas pessoas que ali se equilibravam, todas olhando pra mim confusas, a perguntarem-se - quem é essa idiota que nunca veio cá e faz tudo errado? olha o jeito como escorrega! tsc.
olhei para a vitrine e os papeizinhos empilhados com precisão no canto. não vou deixar meu telefone colado ao vidro, por mais que peçam. lá dentro, uma menina muito magra, cabelos loiros ondulados tão sujos que haviam endurecido numa posição não muito natural, pele morena manchada. ela fazia sinal com a mão para eu entrar na loja, eu estava com pressa e ignorei. ela começou a bater na vitrine e apontar para a pilha de papéis, pedindo para eu deixar meu telefone. mal virei-me e dei dois passos que já a vejo fora da loja, furiosa, agora sem o reflexo do vidro na cara: o seu olho direito era inteiro branco.
- EU TE DISSE PARA DEIXAR O NÚMERO DE TELEFONE!
agarrou-me pelo pescoço numa chave de braço e começou a bradir ameaças com o que parecia ser um dildo de vidro muito comprido, um dos lados espiralado como um cabo. as ameaças viraram grasnados (o hálito putrefato), o cabo do dildo quebrou-se ao meio. ela me soltou e desapareceu no ar.
...
- darling, you don't want to miss lunch!
abri os olhos, virei minha cabeça e minha tia estava ali parada no meu quarto. já deviam ser mais de 1 da tarde, eu havia acordado às 11, dormido de novo e quase perdido a hora do almoço. pensei meio segundo sobre a mania da minha tia em me acordar falando inglês e voltei a falar no celular com a minha mãe, deitada na cama, debaixo das cobertas.
- mas você não tava dormindo quando ela entrou aí pra te chamar?
- não né, só tava deitada aqui. agora deixa-me ir que preciso almoçar.
nisso, dormi outra vez.
acordei não sei quanto tempo depois, desesperada porque todo mundo já devia estar almoçando, ou terminado de almoçar, e eu não tinha conseguido sequer levantar. resolvi esperar um pouco dentro do quarto até meus tios voltarem para o escritório e eu comer em paz sem ninguém falando que sou preguiçosa. foi quando olhei para o chão e... vi ali meu cachecol que deixo no vão da porta com o chão quando a fecho, para saber se alguém entrou no meu quarto enquanto dormia e prevenir que certos odores vão para o corredor. estava como eu o havia deixado. no meio segundo em que apercebi-me que minha tia nunca havia entrado, nunca me chamado em inglês pro almoço, e eu nunca havia falado no celular... vem a empregada, francisca, bater na porta pra me avisar que o almoço estava quase pronto e meus tios iam chegar dali a pouco.
fui desperta pela minha tia e quando ela saiu do quarto eu voltei a falar com a minha mãe? claro que não podia ser realidade. também achava que realmente havia encontrado o caio. tenho mesmo de me habituar novamente a fazer reality checks, eles estavam quase funcionando.
20080116
20080112
PMS
tudo bem elas tomarem a sala e a copa e a cozinha com seus preciosos amigos, deixando-me confinada ao quarto desde a uma da tarde (são nove da noite), impedida de comer. pra isso eu não ligo. MAS COMER O MEU MIOJO BARBECUE HOT QUE EU TROUXE ESPECIALMENTE DE CAMPINAS?????
ISSO ME TIRA DO SÉRIO.
se tudo mais falhar...



...vou-me embora para ubatuba vender artesanato. ou então pra gringa, eles devem curtir uns trabalhos manuais brasucas - posso dizer que vem da favela ou do sertão. não, dos índios! se é que há romãs na flora amazônica, acho que não. mas eles não precisam saber disso. oooou, se souberem, digo que a imagem veio misteriosamente num ritual mágico de uma das tribos mais antigas do amazonas.
argila e tinta acrílica.
tags: cerâmica sonora, ocarina, romã
20080109
dreams that money can buy
aniversário com família é sempre loser. foi mais ainda porque os garçons do restaurante em que almoçamos vieram todos cantar parabéns com as luzes apagadas e um petit gateau, que dei ao meu irmão de bom grado. mas verdade seja dita: loser ou não, só queria que me deixassem em paz. felizmente o número de ligações diminui a cada ano que passa.
bom, depois do almoço fomos eu, ele e mamã à fnac, como é de costume. eu estava entre três dvds: diário de uma garota perdida, com a louise brooks, que nunca vi pra comprar nem alugar em lugar algum da terra; eu, você e todos nós, a que não assisti mas recebi recomendações extremamente positivas, e gosto às vezes de pegar coisas que não conheço; e... o volume 6 da coleção cinema avant-garde, de que já comprei o 5 (de oito).
por eliminatória, fiquei com o último.
essa coleção reúne longas e curtas desde os primóridos do cinema, no fim do séc. XIX, e atravessa o séc. XX com experimentalismos e vanguardas respectivos de cada época. o volume 5 me havia surpreendido; comprei sem conhecer nada do que ali estava, mas já o primeiro curta me prendeu a atenção - chama-se annabelle dances and dances, de 1894, um dos primeiros registros do cinema e o primeiro de dança. annabelle usa um vestido que possui prolongamentos na barra que se prendem a varinhas em suas mãos, e, conforme os movimentos treinados à exaustão, o tecido pode se transformar facilmente em asas de borboleta, movimentos espiralados e outros padrões. a má resolução e os efeitos primários de colorização só adicionam uma beleza etérea às cenas, sem contar a música de fundo que tem qualquer coisa de perturbadora. (obs. o link que deixei mostra só um pequenino trecho e com outra música.) mais pra frente, temos experiências com luz, filmes rodados ao contrário, efeitos de levitação e até um curta expressionista da queda da casa de usher, de edgar allan poe.
pensando nisso tudo, não era de se surpreender que também fosse gostar do volume 6. confesso, ainda não o vi inteiro - mas só o primeiro filme, dreams that money can buy, de 1947, já vale a pena sentar cá e escrever. o cigarro caiu de minha boca logo nos letreiros: direção de hans richter (um dada-surrealista), com a colaboração de max ernst. a música tem também a colaboração de john cage, um dos grandes nomes da música erudita de vanguarda. só para mostrar como o cara é importante, pensem que mesmo num curso de artes visuais aprendemos sobre ele.
max ernst? nem sabia que ele havia feito um filme! a atenção foi ainda mais aguçada. como já disse e vocês perceberam, o max tornou-se um pai para mim. não o único, mas o mais presente e influente nestes últimos períodos de minha vida. segue o filme.
sépia. em minha modesta opinião, é preferível a preto-e-branco. os tons de castanho têm algo fascinante. começam os devaneios de um artista, que de repente entra em contato consigo mesmo encarando seus olhos fixamente. sente-se pronto para então ajudar os outros a darem vazão ao que corre nas profundezas de cada um, claro, ganhar um pouco de dinheiro com isso. escolhe ser negociante de sonhos. o monólogo não é em absoluto complexo e impenetrável, muito pelo contrário. é enxuto e tão explícito que chega a provocar um pouco a nossa capacidade de compreensão. mas, como ficaria provado até o fim do longa, isso não é em nada um defeito.
até podia-se confundir com um filme noir: a voz da consciência em off, e o que parece ser um detetive em seu escritório. um pouco mais pra frente, no entanto, a coisa fica um pouco diferente quando vemos que só há a voz da consciência; as personagens encontram-se e têm diálogos em suas próprias cabeças. e o negociante de sonhos exerce sua profissão, olhando fundo nos olhos de cada cliente para perceber suas ânsias. os primeiros clientes são Mr e Mrs A. ela reclama que o marido não possui nem vícios nem virtudes. ela quer que seus horizontes sejam ampliados. e em então entra Mr A. nalguns momentos vemos flashes de obras de max como o romance-colagem uma semana de bondade, e o quadro o vestimento da noiva, como rápidas olhadas no que se passa na mente do cliente.
começam os sonhos - em cores. o primeiro, desire, é uma história de amor de uma calma furiosa, concebida por max ernst. uma mulher deitada numa cama vermelha sopra uma bola dourada, deixando-a chegar perto da boca para depois soprá-la mais pra cima, até que é engolida. a moça sorri e adormece. they talked about love and pleasure... a cenas se sobrepõem até que---- max em pessoa faz uma aparição negra e misteriosa como le president, tão sorrateira como onipresente, parecendo exercer um controle calado sobre tudo. o filme continua delicioso, com cenas surrealistas das mais variadas, e os diálogos em off. em seguida, temos girl with the prefabricated heart, um musical bizarro usando manequins, criticando os romances hollywoodianos e, ao mesmo tempo, glorificando e caçoando o feminismo. delírio de fernand léger, pintor francês. (pena que o trecho do link não mostra a manequim na bicicleta, que é a parte medonha.) e então chega man ray com ruth roses and revolvers, fazendo uma platéia imitar o que ia acontecendo no filme a que assistiam para mostrar a susceptibilidade do público. faz uma pequena aparição numa foto. e depois marcel duchamp com discs, que possui uma versão cinematográfica de seu nu descendo a escada, além de incômodos discos girantes que hipnotizam.
discs, de duchamp, com música de john cage.
alexander calder fica responsável por duas sequências: ballet, e circus. o último foi inteiro montado com objetos, que possuem uma estrutura que permite movimento, sem contudo serem mecanizados. adorável para pessoas como eu, que acham que objetos têm mais sentimentos que muitas pessoas por aí. este pequeno filme de 1961 com o próprio calder, le cirque, mostra bem o que quero dizer. narcissus, do próprio hans richter, fecha o filme com o sonho mais longo estrelando o próprio negociante de sonhos, que se torna o homem azul durante uma partida de poker. mostra o isolamento de que sofrem os artistas e, no contexto, a humanidade após a guerra. como as raízes foram cortadas, o futuro pode ser ao mesmo tempo excitante e amendrontador.
as falas não são as mais poéticas do mundo, mas para quê, com todas as imagens e sequências fascinantes que nos deixaram os vanguardistas? é escancaradamente experimental, mas quem se importa? tenho mais é de agradecer ao max por me ter encaminhado a essa pérola perdida no tempo. melhor presente de todos, max, obrigada.
(sim, é isso, eu não tenho dúvidas de que ele é meu mentor do além e enviou-me o filme de propósito.)
20071115
simple underwear for simple men
3:01.
- safadinha.
- hihihi aaai, klaus!
O QUE É ESSA ROUPINHA TRIANGULAR ESCROTA SURGINDO NA FESTA DO NADA?
O QUE É ESSE COWBOY PUNK NO BANHEIRO QUÍMICO?
...E ESSA VOZ???
começo hoje uma linha de produção de cuecas klaus nomi - com uma estampa de gravata preta à frente, borda também preta e, atrás, a célebre frase i'm a simple man. encomendem. não se esqueçam de dizer o tamanho.
tags: klaus nomi simple man
20071104
sonho do dia quatorze
foi o terceiro consecutivo.
- por que você não escolhe o césar? irmão dele.
uma colina gramada. carolina e fellipe. não sei dizer se era dia ou noite.
a tamara, também?
à primeira vista aquela porta parecia ser de banheiro, mas não: era a casa de minha tia, onde vivo, e saía direto em meu quarto.
pause nisso.
um quarto de república. como o usual, é tudo muito escuro, as paredes amareladas, cheias de manchas de humidade e mofo. minha cama é a do canto, porque nunca consegui dormir no centro do cômodo. observo de outro canto minha colega a dormir, nua.
o que mais aconteceu naquele quarto?
voltemos à casa de minha tia.
os azulejos da cozinha engordurados, um cheiro pastoso no ar. ali no meio estava uma cobra branca, rija, forte, anelada, com a boca aberta escancarando as presas que gotejavam, a cabeça metida numa gaiola. em desespero, tentei fechar a portinhola para prendê-la ali, embora soubesse que ela não se moveria nunca mais. pus os olhos no canto logo à minha frente, e foi então que a revi.
a menina do vestido branco, ou o que um dia eu presumo que tenha sido essa cor. agora, já era amarelado, rasgado na bainha por ser comprido demais para a pobre criança. o estilo, da primeira década do século vinte. já encontrei-me com ela outras vezes, em sonhos e em vigília. ela se mostrou no mundo material só uma vez, quando eu contava com dez anos de idade. minha prima dormia ao meu lado. apareceu, ali, à porta, e o movimento dos braços dava a impressão de ascensão. o rosto nunca lhe vi: não me deixa, é sempre um borrão. naquela noite, chamou-me a atenção para uma nuvem negra que pairava em cima de minha prima. isto foi mesmo verdade. estava desperta e lúcida. e agora...
ela nunca havia falado comigo. as aparições foram sempre instantâneas, porque não precisavam de mais que isso - eu sabia ao que ela me queria chamar a atenção só por ter se mostrado naqueles milésimos de segundo. mas não desta vez.
ela me avisou, não sei se por palavras, que a cobra soltava um veneno no ar e que eu morreria dentro de pouco. e então ela realmente falou. sua voz era doce, e trazia uma rouquidão por tudo o que havia passado. mas era eu que não percebia ou a língua era estranha demais para ser entendida?
aquela menina...
supliquei-lhe vinte minutos, vinte minutos que fossem! só vinte minutos. ela relutou, eu soube que era porque não estava exatamente em seu poder dar-me vinte minutos, e ia tentar atrasar o máximo possível em meu favor. nisso, ela começou a falar de novo, e eu já sentia o tempo a escorrer. o que foi que ela me disse?
deixei-a e fui em direção ao meu quarto juntar tudo quanto podia para ir-me embora antes que fosse tarde demais. vi o resto das pessoas que moram comigo já de malas prontas, rindo-se, como se fossem viajar.
- e nem para me ajudarem a arrumar as coisas, eu fiquei tentando salvar a todos!
- ah, compreenda, eu entrei em pânico.
foram-se.
ódio e desespero borbulharam. olhava para todos os meus pertences e não sabia o que meter na mala. cega e rapidamente, escolhia uns objetos e tentava manter a noção de tempo, o que ficava mais difícil a cada impressão de instante.
esgotaram-se os vinte minutos. não sei se cheguei a sair da casa.
o céu mudava de cor como se dias passassem em segundos. milênios depois, resolvi retornar ao meu quarto: estava ensanguentado do chão ao teto, e a mala ainda aberta em cima da cama, com mais coisas do que suportava.
agh
ando frustrada.
tudo o que queria era ir-me embora daqui para um lugar desconhecido, com pessoas desconhecidas, onde eu poderia dar passeios anônimos e pintar em paz. toda esta gente me atrapalha a vida. não tenho muita paciência para interações a longo prazo. não tenho estabilidade para aguentar as mesmas caras dia após dia.
eu farto-me, e tão facilmente! a faculdade já não é a mesma: as férias esmagaram tudo. formaram-se os grupinhos e eu não faço parte de nenhum, com orgulho. nos últimos dois meses apareci por lá no máximo dois dias por semana (isso porque só tenho aulas de terça a sexta), sob pretexto de ajudar uma amiga minha que é sozinha aqui na grande cidade de são paulo. claro que, se eu realmente estivesse engajada, conseguiria acordar às seis da manhã para atravessar a cidade, mesmo em dias tenebrochuvosos.
não.
hoje não deu, fui com ela fazer a tatuagem no braço. hoje não deu de novo, o braço dela ficou imobilizado e tive de auxiliá-la em tudo. ah, ontem? ela acordou vomitando e cuidei dela. esta semana... torci o pé na escadinha do metrô, não consigo andar. quarta e quinta? haaa estava com uma tosse que... hmmm, amanhã não sei, a lela quer que...
eu poderia ter dito não, hoje vou ficar em casa, trabalhar e dormir cedo para ir à faculdade amanhã a ela várias vezes que me ligou, mas a culpa por deixá-la sozinha e a minha própria fuga me impediam. e como demorei para aperceber-me que não consigo viver assim, em conjunto... comecei a enlouquecer. se eu não tiver ao menos metade do dia - de preferência a noite e madrugada toda - inteiras para mim, para os meus pensamentos, estudos e coisas que só a mim dizem respeito, sem presenças humanas incômodas, não consigo fazer nada que preste. não consigo me organizar.
(mas a lela tem agora um namorado. já não me sinto com tudo nos ombros caso algo aconteça...)
aqui em casa somos em quatro, contando comigo, e cinco se contarmos a minha "prima" (BEM entre aspas) que vive uns andares abaixo. à noite, ficam todos felizes em frente à tv, conversando e desligando o cérebro de tudo. eu termino meu jantar, tiro a mesa e fecho-me até o dia seguinte. não consigo relaxar. não consigo conviver com aquelas pessoas que, à exceção da minha tia, não fazem o mínimo esforço para me entender.
mas sempre vai ser algo complicado. quem disse, também, que os amigos entendem quando eu sumo por três meses, porque simplesmente tenho de sumir da minha vida?
espero amadurecer. do contrário, jamais vou conseguir um relacionamento e acabar por perder as amizades todas.
20071103
20071102
porcos!
estou cansada de ser tratada como um pedaço de carne. de não poder respirar e sentir ânsia e mesmo assim continuarem. de falta de respeito, de carinho, de consciência de que sou um ser humano. estou cansada de não me ouvirem as necessidades, as dores, os prazeres.
se continuar assim, viro lésbica.
A Navalha perde o corte
apetece-me finalmente dizer tudo o que sentia, tudo o que acontecia dentro de mim quando visitava A Navalha, durante quase três anos. guardava tudo, porque sabia tão bem... e gostava de poder explicar. mas não - as palavras estão engasgadas, talvez com a dor de saber que acabou-se, talvez porque seja tudo tão intenso para a minha capacidade de verbalização.
já percebia o fim próximo. não importa quantas suturas, a um ponto é-se impossível continuar. e foi tudo tão belo que seria injusto de minha parte quaisquer resmungos: só tenho de agradecê-los por me terem conquistado semana após semana, enquanto viveu A Navalha.
eles me trouxeram de volta. resgataram-me de um poço de insensibilidade e deram-me vida outra vez. e isso, podem apostar, jamais será esquecido.
20071101
lembrem-se do cinco de novembro
e então começa novembro.
sempre foi, de longe, o mês mais esquisito do ano, em que tudo morre e apodrece. mas: já não foram setembro e outubro assim? o que devo esperar?
meu pé cura-se lentamente do torção três dias atrás, e o Escaravelho (porque ainda não dei-lhe um nome) já está quase pronto para trocar de peles, deixando a casca escura e renascendo azul dito turquesa.
- não, tia, é semi-permanente, dura muitos e muitos e muitos meses. e posso retocá-la.
ah, assim é de boa, de boassa, pois não?
- é bom que você tenha essa opção, essa idade de querer usar tatuagens... daqui a um tempo não vai querer mais. ah, também você jamais faria um BESOURO permanente num lugar tão visível, não é?
não, tia. ainda bem que sai quando eu morrer.
- não, tia.






