desde criança que não tinha um terçol. começou tímido na sexta, quase imperceptível, ontem cresceu um bocadinho e avermelhou; hoje já começa a me atrapalhar a visão. quando dou por mim já tou passando o dedo nele, verificando tamanho, consistência, sensibilidade, e comecei a andar de óculos de grau por motivos estéticos (colocar a franja em cima não dá porque irrita). nunca gostei de usar essa armação na cara e não me incomodo de ter uma visão gradativamente impressionista do mundo a partir dos 5m de distância, a não ser quando pegava ônibus e presumia que era o Terminal Sto. Amaro quando na realidade entrava no Jd. Maria Luiza ("hmmm são três palavras, deve ser esse, é vermelhinho também"), só percebendo na rua que divide os itinerários dos dois. raras as vezes em que isso aconteceu, todas a mais inconveniente possível. quando por algum acaso ou necessidade hei de andar na rua com os óculos, sempre vou me surpreender com o mundo todo, mesmo as coisas tão distantes, detalhado, tridimensional e palpável; mas não usá-los restringe o foco da minha atenção ao que está mais próximo a mim, facilitando a leitura no metrô, por exemplo, ao invés de ficar reparando no tipo bizarro do outro lado do vagão. além do mais, como a necessidade anda de mãos dadas com a inventividade, descobri que, se fechar a minha mão fazendo um funil muito estreito mesmo e olhar através dele, consigo compensar bastante da deformidade da minha córnea - daí as pessoas cerrarem os olhos pra ver melhor. se ainda enxergasse mal desde criança, nah, tive uma visão ótima até os dezesseis, pude aproveitar bem considerando que meus pais são dois ceguetas e não fazem absolutamente nada sem lentes ou óculos.
mas eu falava do terçol. meu tio me deu o passo-a-passo das compressas, com chá e gaze, não com algodão, ele fez questão de frisar. numa viagem de carro no sábado, minha tia perguntou a ele - é micóbrio, não é?, eu já ia falando, - nem sempre, pode ser por causa de..., mas meu tio cortou, - si, con certessa es microbio. então ok, não apareceu até agora nenhum sinal de ponto de escape ainda imaturo, e a merda da internet é ler que há a possibilidade de isto endurecer tudo aqui dentro e ter de fazer um pequeno procedimento cirúrgico pra remover. já apavoro, - e se nunca sair, e se nunca drenar?. minha tia já aproveitou pra dizer, - é bom estes dias você não se expor à fumaça nem nada disso, senão vai piorar, ou seja, - aguenta ficar uns diazinhos sem fumar nada ou você já é totalmente viciada?, conheço a figura. falou também, contra a opinião de TODAS as pessoas que eu conheço, que fico melhor de cabelo chanel alisado. e eu lhe respondi, - você só acha isso porque chanel é corte de mulher independente, auto-suficiente e decidida, ao mesmo tempo que com o cabelo liso fica geométrico e clean, simples e quase modular, porque você tem uma visão muito prática das coisas. ela admitiu que eu tinha razão, e ficou implícita ali a parte que eu não falei: - meu cabelo anda totalmente romântico, cachos, ondas e frisos, às vezes seca bem, às vezes não, tudo depende do dia. você tem medo que eu me perca no meu universo de sonho, e acha que um corte de cabelo poderia mudar minha atitude em relação ao mundo. não desprezo totalmente essa opinião, mas penso que é mais um reflexo de uma mudança interior que já vem em andamento do que o catalisador em si. enfim...
eu falava do terçol, e nisso ela também sugeriu que eu não tirasse os óculos em hipótese alguma, pra proteger, proteger, PROTEGER, sempre, é a política de agir na defensiva contra tudo o que está à nossa volta, o sol prejudica a pele, as unhas carregam bactérias, a grama está cheia de insetos nojentos e resquícios de bichos doentes, tudo tem de ser extremamente asseado, quimicamente esterilizado, fervido e embalado de modo que não toque em nada. se estivéssemos no século XIX a atitude é quase comparável àquela que encarcerou Colin, do Jardim Secreto, dentro de casa durante anos. é fraco, não aguenta, tem de repousar, tem de se tratar, isolar, quando tudo o que se precisa é deixar que aconteçam as interações naturais. e como é que as pessoas faziam antes de descobrirem os microorganismos? aceitavam a morte como um castigo divino, ficavam deformadas ou sequeladas, mas aposto como eram muito mais humanas e terrenas no sentido de estarem sujeitas, tanto quanto ou mais que os animais, aos acasos do universo e às leis da natureza que têm sua própria maneira de se organizar. a tendência é nos separarmos cada vez mais do mundo orgânico almejando uma dita superioridade, quase que um complexo de D'us, alterando o equilíbrio estabelecido para impor o nosso próprio. pensando nisso, até entendo porque o Catolicismo é contra manipulação genética e essas merdas: se D'us (tomando emprestado uma frase espírita o definindo como "a inteligência suprema, causa primeira de todas as coisas", e mais outra escolástica medieval, "só em D'us há coincidência de ação e pensamento") deu origem a nós, à vida em geral e se faz presente nas leis não só terrestres como na organização geral do Universo, é certo que reagirá, talvez violentamente, a essas nossas mudanças estruturais no microcosmos, que está intriscecamente relacionado ao macrocosmos, já diziam os alquimistas... principalmente porque não temos puta de idéia do lugar ao qual essas mudanças nos vão levar daqui a anos e anos.
e foi engraçado ter um desdobramento tão amplo da diferença de mentalidades só por ouvir a Nina dizendo, umas horas depois, - não, tira esse óculos, tem que arejar!
(sumi, não tirei um tempo pra escrever mais nada aqui, e nem devia estar escrevendo isto tudo de madrugada, ainda não dormi e aula daqui a nada, muitas horas de deleite em pesquisa de história da arte, muitos momentos de angústia na hora dos trabalhos práticos. fim de semestre, tava louca pra pegar no meu Egyptian Grammar que chegou semana passada mas até julho não há tempo, decidi que vou fazer um curso de teologia ou estudos bíblicos daqui a uns meses, nem que seja pelo correio, porque há um tempo reparei que tenho uma paixão enorme por arte sacra, adoro as simbologias cristãs [não só, a geometria árabe também é fantástica] e até minha historinha infantil que devia ser besta e só uma desculpa para novas propostas de diagramação acabou virando uma fábula complexa sobre a necessidade primitiva de chamar divino tudo aquilo que não somos capazes de compreender, e a nossa própria projeção na divindade como o modelo ideal que nunca conseguiremos alcançar, do mesmo jeito que se considera Mozart um gênio fora do comum, com uma centelha especial, só pra nos livrarmos da culpa e tortura de saber que nunca seremos iguais a ele. mas aí já comecei com Nietzsche, a esta altura melhor é ir dormir. ou não, que se calhar nunca mais acordo pra aula.)
20080616
sobre quê?
20080610
20080609
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20080526
20080506
20080430
20080424
20080415
diga trinta e três.
parei com os fármacos há mais ou menos um ano. dantes, quando sentia que estava pra engripar, enchia-me de resfenóis vermelho-amarelo, eles se dissolviam sem efeito e dois dias depois passava, assim, ao tylenol (porque sou alérgica aos compostos de 2/3 dos remédios mais comuns, AAS e dipirona incluídos), quem sabe amoxilina e outros de que nunca vou lembrar o nome. nenhum deles me curava; ou era a tosse que permanecia, ou uma narina inutilizada, ou dores de cabeça, ou
não sei bem por que um dia levantei-me da cama e disse - Não vou mais tomar remédios. talvez fosse a preguiça ritualística. começar às cinco da tarde implica em repetir a dose às cinco da manhã. o famoso copo d'água que acompanha os comprimidos e cápsulas já não me era mais necessário, como é que se faz ao meio da aula, do trabalho, do cinema, que calham sempre com o horário de ingestão? pedir licença, vou arranjar um pouco d'água quebra os momentos. passava a ponta da língua nas glândulas, salivava mais que o necessário, levava o remédio à boca e pronto, já não sentia nada a raspar a garganta esôfago, e as pessoas todas olhavam - MAS ASSIM, A SECO?, com o mesmo tipo de choque de quando vêem que tomo café sem açúcar.
remédios líquidos são simplesmente estúpidos, apesar de agirem mais rápido, e xarope pra tosse é o auge dessa estupidez. excluam-se aqui tratamentos medicinais alternativos, tipo bebidas alcoólicas. detesto médicos, também. eles não sabem de nada. passam a faculdade inteira experimentando todas as drogas possíveis e depois quando se formam só fazem pedir exames de fezes, urina e sangue pra comparar na tabelinha.
Vejamos, senhor Meira, dores no abdome inferior, localizadas principalmente no lado direito... dores mais fortes ao mexer a perna direita, também? devem ser gases, está aqui um luftal, vá para casa descansado.
os enfermeiros são igualmente nojentos; erram sua veia sem cerimônias, começam a dançar a agulha dentro da sua pele, dor dor dor, vai inchar e arroxear amanhã, mas não importa, eles meio que riem-se dizendo - Haaa que veia fininha a sua, quase que não acho! uma vez, numa das minhas crises de intoxicação, meteram junto no soro um remédio a que sou alérgica e acreditem, uma substância nociva ao organismo por intravenosa é dez vezes pior que as aspirinas com seu AAS.
e os farmacêuticos que não sabem aplicar injeções? uma vez, tive de chamar a atenção da mulher pra trocar a agulha depois de utilizá-la pra perfurar a tampa da ampola com o antibiótico, ela ia me enfiar a agulha cega no mocotó. crianças, lembrem-se, quando forem aplicar a medicação ou dar um pico de heroína, sempre troquem a agulha. no segundo caso, não é nem por causa de hepatite e outras lendas urbanas, mas porque dói menos!
começo a contar também da epopéia do ciso, da falta de anestesia e hemorragia pós-operatória? se for falar de falta de anestesia também houve a vez em que fui costurar o queixo e... nah, deixa pra outro dia, junto com o meu problema no joelho que ninguém nunca descobriu o que é. chegaram perto, por um breve período disseram que era desgaste do menisco (com treze anos de idade, sim), depois vieram com uma certa história de instabilidade patelar, e rótulas viradas anormalmente não sei quantos graus para fora por conta disso. enfim...
azares meus com os profissionais da medicina ocidental à parte, logo depois que acordei e disse - Não vou mais tomar remédios, claro que tinha de adoecer pra conferir o tom irônico permanente da vida. passei quase dois meses a morrer, a arrastar, podre, com uma tosse gorda acompanhada de escarradas castanhas a cada meia hora. prontes, acaba aqui, sou tuberculosa, tísica, melhor começar já a editar os meus diários com tarjas pretas que o funeral não está longe, pensei. ao cabo dos dois meses o catarro clareou, a tosse rareou e desapareceu, e então:
eu nunca mais fiquei doente depois disso.
já agora; claro que tem a ver com alimentação, exercício físico e disposição mental. mas nem uma dor de cabeça de leve eu tive, sequer, e isso é bem estranho, considerando que eu estava SEMPRE com algum tipo de enfermidade, incluindo amigdalites preocupantemente crônicas, de terceiro grau, seja lá o que isso quer dizer. isso seria tudo muito bom, há mais de ano sem doenças, puxa, que sorte, e que sistema imunológico fortalecido, mas... -
mas.
como é possível que não apanhe mais nada? depois da nefrite de 2005, que foi quando eu realmente cheguei a pensar em cavar a cova e deixar por escrito a frase derradeira sintética da lápide, deitada na cama com uma quase-septicemia na noite de Natal, não tive mais nada tão grave. e como eu também, apesar de comer muitos vegetais e andar em média 10km por dia quando vou à faculdade (olha o contador de passos aí), não levo uma vida exatamente saudável, fumo tabaco e erva e bebo e de vez em quando me estrago um pouquinho mais, não é possível que esteja intacta, assim. a grande impressão é que tenho dentro de mim algo destruidor na incubação (que não seja AIDS que não seja AIDS que não seja AIDS que não s...), só esperando o momento perfeito de fraqueza pra se revelar. continuo com as minhas dorzinhas musculares e nas articulações, mas agora toda vez fica uma vaga dúvida no fundo da minha mente se seriam, de fato, dores de fadiga, se espontâneas...
ou coisas piores e mais complicadas.
mas claro, essa minha abstinência foi quebrada uma vez neste ano que passou, mas só porque eu não aguentava mais lavar o chão de vômito a cada vinte minutos. chegou no ponto em que o ato de vomitar passou a ser um orgasmo distorcido: eu sentia meu estômago embrulhar-se e contrair-se cada vez mais, tinha calafrios, até que numa série de espasmos ia tudo fora, e nos instantes seguintes meu corpo relaxava numa satisfação intensa, junto com calor e cansaço. depois de algumas horas só me restava mesmo a amargura da bile, como sempre me acontece nas intoxicações, e nesse dia tive de tomar um plasil para fazer cessar os espasmos. dois, na verdade, porque um voltou logo em seguida. e óbvio que outros casos vão pedir medidas semelhantes, mas o assustador, por enquanto, é que essa parte da minha vida, as enfermidades companheiras que eram tão presentes já não se manifestam mais. ao menos não de maneira aberta e sincera. há a possibilidade também de ter sido tudo somático, eu que odiava viver em campinas e o ambiente me fazia adoecer, mas ainda assim, esquisito.
a idéia de incubação acho que só vai embora de vez quando resolver ir tirar as teimas com um check-up - e talvez nem assim, porque, como já disse, não coloco minha mão no fogo por esses médicos do estado de são paulo (que outros não conheço).
20080413
"O romantismo é, talvez, a irrupção do eu, a busca do fantástico, do irreal possivelmente ligado à realidade de maneira misteriosa, o desejo de cores variadas, de sons distantes e encantadores, a confissão do que há de mais íntimo, a confraternização com a natureza, a união mística com o seu lado sombrio, o exagero de sentimentos e paixões, o mergulho na mística, na mágica, nos recantos mais ocultos da alma humana e das suas relações maravilhosas com o todo, o despedaçamento dos grilhões do costume, das convenções, o sacrifício em prol de um ideal, a busca de corações fraternais. (...) O romantismo é aquilo que não pode ser explicado a quem não o sente."
de: História Universal da Música, Kurt Pahlen.
20080406
IT'S ALIVE!

a orquídea eu arranjei num leilão da alta sociedade em que entrei de penetra. era arte pela amazônia, venderam por $6.000 um esqueleto de periquito dentro de uma redoma com uma base de madeira adaptada em caixinha de música - quando se dá corda o esqueletinho dança loucamente. fora as merdas conceituais de sempre que causam ao menos uma diversãozinha, o catálogo era, sim, interessante. mas mais interessantes eram o whiskey 12 anos e todos os petiscos (o maior queijo brie que vi na minha vida era servido quente com fatias de maçã verde).
a orquídea da foto está sendo desidratada neste instante para futuras experiências.
rabiscos no paint, que continua o meu programa preferido para web-coisas.
POTS
o meu blog nunca teve tantas visitas como estes tempos, graças ao senhor Marcus Grande Abóbora, que me citou num post. ironicamente, coincidiu com uma fase de poucas palavras que penso não atrair muitas pessoas. elas vêm e se vão logo em seguida. mas melhor: sinto que não tenho lá muito jeito para escrever a um público maior que dez pessoas.
semana próxima volto com os textos.
20080401
20080331
20080325
daquele site lá de letras

como brasileira, eu enfrento um dilema: sinto-me bem por fazer parte da nata elevada e ter mais chances do que o resto, ou sinto-me mal pela média do nosso país ser tão inacreditavelmente medíocre? de qualquer maneira, é uma vergonha, assim como a juventude ter estagnado em legião urbana desde os anos oitenta. e pensando de novo, esse ranking foi montado pela população internauta brasileira, que já não é um número tão grande apesar de mais abastada, ou seja - a preferência geral da nação apática cai em coisas ainda mais baixas, tipo... o créu.
ontem estive pensando seriamente em sair daqui. amo são paulo, quero morar nela durante alguns anos (um já foi), mas sinto que não é a paragem final. eu não pertenço a este lugar, ele não é pra mim, mesmo me sabendo perdidamente brasileira. life is elsewhere.
20080322
el robot attaaaaack
há mais ou menos três semanas eu entrei numa nóia de que iria perder meu celular dentro de pouco tempo, e por isso tinha de anotar os números em qualquer outro canto, caso o dano fosse tal que não permitisse recuperar a agenda. tive a sensação de que chegava a hora de algo acontecer. peguei num caderno e caneta, comecei a escrever.
fui até a letra G. fiquei com preguiça depois de me dar conta que havia quase o triplo de contatos cujas letras iniciais estavam entre L e P (e mais R), o que significava que ia levar ainda muuuuito tempo até passar tudo a limpo. amanhã eu faço, pensei. aham.
num dia aleatório da semana seguinte eu estava com uma garrafa de água no meu quarto, aqui ao meu lado. desastrada como sou (só dentro de casa - é um fenômeno curioso, sinto que sou espaçosa demais pra quatro paredes), bati a mão na garrafa. ela ficou um segundo virada, mas foi o suficiente pra que se formassem várias poças em cima do revestimento de plástico já com goivadas que por sorte não atingiram a madeira. fui à cozinha pegar um pano e enxugar aquilo, antes que escorresse pra algum aparato eletrônico.
o problema foi que eu não vi uma das poças que estava bem ao lado do meu celular.
eu o abri, tirei a bateria, tirei o chip, sequei - mas já era tarde. a água enfiltrara-se lá dentro e ele foi morrendo aos poucos. primeiro a tela, depois as luzes do teclado entraram em curto. ainda ligava, mas na manhã seguinte, quando o peguei em minhas mãos, senti que estava gelado. nunca mais deu outro sinal de vida.
levei uma semana até tomar vergonha na cara e ir comprar outro. domingão de chuva fui eu andando até o shopping paulista. a loja da TIM é praticamente escondida, e esperei vinte minutos sentada no pufe cúbico até que o atendente lindo, em quem eu estava de olho desde que entrara, me chamou.
- então, aconteceu o seguinte, ---------- e vou fazer tudo de novo, do zero, outro conta, outro número (desta vez de são paulo), outro aparelho.
- ok, você me empresta o RG, CIC e comprovante de residência?
- haaa, comprovante de residência?
- é, é o procedimento pra pós-pago.
- ...eu volto amanhã.
ainda bem que depois encontrei a carol e o chico pra um choconhaque ali ao lado, senão teria ficado fodida por perder a viagem, e ainda pensar que talvez amanhã não pegasse o atendente lindo.
de fato... foi um gordo com uma pele meio escamosa chamado tiago quem me atendeu no dia a seguir. fiquei mais ou menos 2h esperando o procedimento todo, que estava algo precário porque a loja estava sem sistema há dias. o que era pra ter levado 10min, durou 1h30. a pior parte foi escolher dentre os aparelhos. eu gostava do meu V3i, era um intermediário entre os que só fazem ligações e os que passeiam com o seu cachorro, e ainda era flip top - detesto teclados desprotegidos, tem que ficar bloqueando e não tenho paciência pra isso.
eu não sei o que se passou. depois de ver e rever exaustivamente vários modelos e percebendo que eu só me atraía pelos salgados, acabei escolhendo um que tinha o preço médio entre os mais baratos e os mais caros - o que não significa que foi pouco. quase over the top, eu diria, mas só quase. ele é de slide! nem sei se é esse mesmo o termo, mas é tão divertido dizer sliiiiiiiiiide...
saí da loja e fui à praça de alimentação. enquanto terminava de comer, vi que a quarentona da mesa diagonal acendera um cigarro na maior cara de pau. acho que é proibido fumar em shopping há uns dez anos, então nunca pude aproveitar a época de ouro. a princípio fiquei com invejinha da ousadia dela. depois percebi que não ia demorar muito até vir alguma das mil faxineiras dizer que era proibido e apontar o lixo mais próximo. só que não! ela fumou tranquilamente e ninguém apareceu.
minha refeição teria sido muito mais feliz se fosse encerrada com um cigarro, pensei.
aliás, toda a experiência shopping seria muito mais feliz se incluísse cigarros here and there. depois de esperar 2h ouvindo uma musiquinha irritante e torcendo pra que a mulher viesse me atender do outro lado da linha no próximo instante, acho que toda ansiedade foi canalizada e pronto - um surto de compra. gastei uma porrada de dinheiro numa merda de um celular.
é assim que os centros comerciais obtêm seus maiores lucros: eles privam os fumantes de nicotina e do ato de fumar durante umas horas e transformam-nos em shopaholics momentâneos em potencial. ingênuos os que acham que é só uma questão de saúde pública...
e eu ainda estou em choque com o tanto de tecnologia que carrego em minhas mãos. depois do contador de passos pensei que não podia haver mais nada - pois sim, ele é agora também o meu mais novo controle do windows media player! onde este mundo vai parar? temo muito tudo isso. não quero ser corrompida! que diabo, eu até que estava feliz sem celular. odeio estar gostando tanto, isso tudo é tão fútil e supérfluo que eu me sinto culpada carregando um troço assim no bolso enquanto vejo gente morrendo de fome nas ruas. mas o que eles ganhariam se eu tivesse comprado um celular mais barato?
ganhei também um zippo novo. é gravado, como o outro, só que dos dois lados e com um padrão ornamental de ramos que me faz pensar que ele pertenceu a algum barão do café do séc. XIX, apesar dos zippos só terem surgido na década de 30 do século passado. ele é mais feminino que o outro de flocos de neve, mas este, por enquanto... simplesmente me parece uma sombra, uma invocação, uma aparição do desaparecido silent night, tentando cobrir a lacuna com o mesmo brilho, formato e clique, but it's not quite the same... como um tributo, uma homenagem à lembrança do antigo. vamos ver se isso se dissolve com o tempo.
20080320
mais uma.
20080319
balanço do dia: 10527 passos, ou 9.6km
esse contador de passos que existe no meu celular novo vai revolucionar minha vida.
20080316
love bravenet
interessante ir lá checar os referrers (sempre há algo estúpido do tipo busca por "sexo gays alemães", "hbo masturbação"), e qual não foi minha surpresa ao me deparar com...
"por quem a trixie ta apaixonada".
só falta saber se é a trixie do speed racer ou a dos padrinhos mágicos.
20080315
from my window
20080310
20080308
artrópodes do Instituto de Artes
aquele lugar possui uma biodiversidade incrível. vira e mexe cai um bicho bizarro no meu ombro, e resolvi ir fazendo uma pequena coletânea deles - porque quando mudarmos para a barra funda cinza e industrial, eles não nos acompanharão.
uma das primeiras - a mariposa que repousou numa planta do átrio durante quase um mês.
esta é das borboletas mais comuns...
...e logo já vem outra.
eu apaixonei-me por esta aranha minúscula e transparente.
no começo ela ficou meio cabreira. escondia-se e tal, pulava na minha câmera...mas depois que percebeu que não lhe faria mal, até começou a posar e deu-me esta foto, uma das minhas preferidas dentre as que tirei de aracnídeos. ela realmente interage com o observador.
tags: artrópodes
self-portrait II
20080305
20080301
20080227
take-- the oregon short line to salt lake
o intervalo entre 03:22 a 5:01 de mason city. e por que não o blueberry boat inteiro? ouçam. não é possível descrever o conto de fadas sinistro que é esse álbum esquizofrênico. é ele que tem me salvado sucessivamente na última semana. tenham paciência - algumas músicas vão mesmo parece dignas de se passar, mas de repente aparece um piano dissonante irresistível que faz valer a pena absorver os barulhos irritantes e refrões um pouco enjoativos. no fim tudo se funde, e cada parte de blueberry boat torna-se harmônica e essencial. ou quase - o clímax é no começo, o que acaba fazendo de faixas como 'birdie brain' dispensáveis depois das mind-blowing 'quay cur' e a faixa-título. chris michaels e mason city estão algo no meio, um bocadinho ressacadas, mas devo dizer que adoro todas as mudanças aparentemente sem sentido de andamento e melodia, e em especial o trecho em particular que citei no começo. se bem que é injusto falar de um trecho só com tantas passagens out of the blue que pintam cenas que não pensava serem possíveis... o álbum terminaria muito bem em 'turning round', mas 'wolf notes' acabou por ser um anexo adorável. depois de alguns anos a ouvi-lo, em viagens, antes de dormir, dormindo, enfim, em diversas situações, ele ainda me surpreende e encanta, primeiro deixando minha mente vazia para depois enchê-la com histórias esquisitas que sempre estiveram perdidas nalgum lugar da minha memória.
20080225
maybe we're the aliens
a comunidade da banda tam! no orkut contava com quatro pessoas: eu, william, giovana e beano (ou murphy, ou... o seu nome verdadeiro que já não me lembro qual é). o william havia me passado uma música deles há anos, chamada aliens, e tínhamos plena certeza de que éramos os únicos a conhecer a banda - até encontrarmos... o murphy. ele é um verdadeiro music geek. não tem mesmo mais nada pra fazer a não ser ficar digitando qualquer coisa no soulseek e lotando o HD. conversando com o sujeito, descobri que ele também só tinha as mesmas músicas que eu - aliens, a versão normal E acústica - e havia criado a comunidade pra ver se alguém mais conhecia. qualquer outra coisa era impossível de se achar. só sabíamos que a banda realmente existia porque havia uma citação ou outra pelas páginas gringas (três no máximo). uma delas dizia que o nome tam! era por causa do frontman, tam treaner; isso nos dava forças para continuar em frente. já éramos três, desesperados por qualquer informação que fosse do maldito tam!, quando surgiu lá do nada a giovana, uma antiga amiga e bandmate minha.
eu na época já estava fodida com ela por causa de fiery furnaces (longa história, eu juro, não foi tão idiota quanto parece) e achei o cúmulo ela começar de novo com a mesma coisa, agora com tam!. o que ela conhecia deles? só aliens, também. não havia muito mais que fazer dessa vez.
passaram-se os anos.
um dia desses, na casa do will, puxei o assunto da música. ele me disse que havia visto um vídeo uma vez, mas nunca mais achou de novo. eu pensava que eram só os delírios dele - até agora de pouco.
TAM! - aliens (vídeo)
mas a história não acabou nisso, na verdade - pouco tempo depois, eu voltei à casa do will. estávamos conversando e ele disse algo como:
- aaaah mas a saraiva num é tão ruim tótinha, eu encontrei o cd do tam! lá
- QUEEE CD DO TAM!?
- o que eu tenho aí! foi dele que eu tirei aliens mano, comprei na saraiva um dia do nada, nem sabia o que que era HAUhuahauihIUua
- VOCÊ NUNCA ME DISSE QUE TINHA UM CD DO TAM!.
- aaaah é que eu num curti tanto as outras músicas, só aliens
- deixa-me ouvir agora!!!!
(...)
- hmmm... é mesmo uma merda. ainda bem que eles botaram aí uma reprise acústica de aliens.
20080221
20080219
pessoas que metem . - ' e afins no começo do nick do msn só pra aparecerem no topo da lista:
faço questão de não falar com vocês exatamente por esse motivo. saibam que estão todos juntos no meu grupo Z.






