20080430

ADEUS.

20080424

patético.

20080415

diga trinta e três.

parei com os fármacos há mais ou menos um ano. dantes, quando sentia que estava pra engripar, enchia-me de resfenóis vermelho-amarelo, eles se dissolviam sem efeito e dois dias depois passava, assim, ao tylenol (porque sou alérgica aos compostos de 2/3 dos remédios mais comuns, AAS e dipirona incluídos), quem sabe amoxilina e outros de que nunca vou lembrar o nome. nenhum deles me curava; ou era a tosse que permanecia, ou uma narina inutilizada, ou dores de cabeça, ou

não sei bem por que um dia levantei-me da cama e disse - Não vou mais tomar remédios. talvez fosse a preguiça ritualística. começar às cinco da tarde implica em repetir a dose às cinco da manhã. o famoso copo d'água que acompanha os comprimidos e cápsulas já não me era mais necessário, como é que se faz ao meio da aula, do trabalho, do cinema, que calham sempre com o horário de ingestão? pedir licença, vou arranjar um pouco d'água quebra os momentos. passava a ponta da língua nas glândulas, salivava mais que o necessário, levava o remédio à boca e pronto, já não sentia nada a raspar a garganta esôfago, e as pessoas todas olhavam - MAS ASSIM, A SECO?, com o mesmo tipo de choque de quando vêem que tomo café sem açúcar.

remédios líquidos são simplesmente estúpidos, apesar de agirem mais rápido, e xarope pra tosse é o auge dessa estupidez. excluam-se aqui tratamentos medicinais alternativos, tipo bebidas alcoólicas. detesto médicos, também. eles não sabem de nada. passam a faculdade inteira experimentando todas as drogas possíveis e depois quando se formam só fazem pedir exames de fezes, urina e sangue pra comparar na tabelinha.

Vejamos, senhor Meira, dores no abdome inferior, localizadas principalmente no lado direito... dores mais fortes ao mexer a perna direita, também? devem ser gases, está aqui um luftal, vá para casa descansado.

os enfermeiros são igualmente nojentos; erram sua veia sem cerimônias, começam a dançar a agulha dentro da sua pele, dor dor dor, vai inchar e arroxear amanhã, mas não importa, eles meio que riem-se dizendo - Haaa que veia fininha a sua, quase que não acho! uma vez, numa das minhas crises de intoxicação, meteram junto no soro um remédio a que sou alérgica e acreditem, uma substância nociva ao organismo por intravenosa é dez vezes pior que as aspirinas com seu AAS.
e os farmacêuticos que não sabem aplicar injeções? uma vez, tive de chamar a atenção da mulher pra trocar a agulha depois de utilizá-la pra perfurar a tampa da ampola com o antibiótico, ela ia me enfiar a agulha cega no mocotó. crianças, lembrem-se, quando forem aplicar a medicação ou dar um pico de heroína, sempre troquem a agulha. no segundo caso, não é nem por causa de hepatite e outras lendas urbanas, mas porque dói menos!
começo a contar também da epopéia do ciso, da falta de anestesia e hemorragia pós-operatória? se for falar de falta de anestesia também houve a vez em que fui costurar o queixo e... nah, deixa pra outro dia, junto com o meu problema no joelho que ninguém nunca descobriu o que é. chegaram perto, por um breve período disseram que era desgaste do menisco (com treze anos de idade, sim), depois vieram com uma certa história de instabilidade patelar, e rótulas viradas anormalmente não sei quantos graus para fora por conta disso. enfim...

azares meus com os profissionais da medicina ocidental à parte, logo depois que acordei e disse - Não vou mais tomar remédios, claro que tinha de adoecer pra conferir o tom irônico permanente da vida. passei quase dois meses a morrer, a arrastar, podre, com uma tosse gorda acompanhada de escarradas castanhas a cada meia hora. prontes, acaba aqui, sou tuberculosa, tísica, melhor começar já a editar os meus diários com tarjas pretas que o funeral não está longe, pensei. ao cabo dos dois meses o catarro clareou, a tosse rareou e desapareceu, e então:

eu nunca mais fiquei doente depois disso.

já agora; claro que tem a ver com alimentação, exercício físico e disposição mental. mas nem uma dor de cabeça de leve eu tive, sequer, e isso é bem estranho, considerando que eu estava SEMPRE com algum tipo de enfermidade, incluindo amigdalites preocupantemente crônicas, de terceiro grau, seja lá o que isso quer dizer. isso seria tudo muito bom, há mais de ano sem doenças, puxa, que sorte, e que sistema imunológico fortalecido, mas... -

mas.
como é possível que não apanhe mais nada? depois da nefrite de 2005, que foi quando eu realmente cheguei a pensar em cavar a cova e deixar por escrito a frase derradeira sintética da lápide, deitada na cama com uma quase-septicemia na noite de Natal, não tive mais nada tão grave. e como eu também, apesar de comer muitos vegetais e andar em média 10km por dia quando vou à faculdade (olha o contador de passos aí), não levo uma vida exatamente saudável, fumo tabaco e erva e bebo e de vez em quando me estrago um pouquinho mais, não é possível que esteja intacta, assim. a grande impressão é que tenho dentro de mim algo destruidor na incubação (que não seja AIDS que não seja AIDS que não seja AIDS que não s...), só esperando o momento perfeito de fraqueza pra se revelar. continuo com as minhas dorzinhas musculares e nas articulações, mas agora toda vez fica uma vaga dúvida no fundo da minha mente se seriam, de fato, dores de fadiga, se espontâneas...

ou coisas piores e mais complicadas.

mas claro, essa minha abstinência foi quebrada uma vez neste ano que passou, mas só porque eu não aguentava mais lavar o chão de vômito a cada vinte minutos. chegou no ponto em que o ato de vomitar passou a ser um orgasmo distorcido: eu sentia meu estômago embrulhar-se e contrair-se cada vez mais, tinha calafrios, até que numa série de espasmos ia tudo fora, e nos instantes seguintes meu corpo relaxava numa satisfação intensa, junto com calor e cansaço. depois de algumas horas só me restava mesmo a amargura da bile, como sempre me acontece nas intoxicações, e nesse dia tive de tomar um plasil para fazer cessar os espasmos. dois, na verdade, porque um voltou logo em seguida. e óbvio que outros casos vão pedir medidas semelhantes, mas o assustador, por enquanto, é que essa parte da minha vida, as enfermidades companheiras que eram tão presentes já não se manifestam mais. ao menos não de maneira aberta e sincera. há a possibilidade também de ter sido tudo somático, eu que odiava viver em campinas e o ambiente me fazia adoecer, mas ainda assim, esquisito.

a idéia de incubação acho que só vai embora de vez quando resolver ir tirar as teimas com um check-up - e talvez nem assim, porque, como já disse, não coloco minha mão no fogo por esses médicos do estado de são paulo (que outros não conheço).

20080413

"O romantismo é, talvez, a irrupção do eu, a busca do fantástico, do irreal possivelmente ligado à realidade de maneira misteriosa, o desejo de cores variadas, de sons distantes e encantadores, a confissão do que há de mais íntimo, a confraternização com a natureza, a união mística com o seu lado sombrio, o exagero de sentimentos e paixões, o mergulho na mística, na mágica, nos recantos mais ocultos da alma humana e das suas relações maravilhosas com o todo, o despedaçamento dos grilhões do costume, das convenções, o sacrifício em prol de um ideal, a busca de corações fraternais. (...) O romantismo é aquilo que não pode ser explicado a quem não o sente."

de: História Universal da Música, Kurt Pahlen.

20080406

IT'S ALIVE!


a orquídea eu arranjei num leilão da alta sociedade em que entrei de penetra. era arte pela amazônia, venderam por $6.000 um esqueleto de periquito dentro de uma redoma com uma base de madeira adaptada em caixinha de música - quando se dá corda o esqueletinho dança loucamente. fora as merdas conceituais de sempre que causam ao menos uma diversãozinha, o catálogo era, sim, interessante. mas mais interessantes eram o whiskey 12 anos e todos os petiscos (o maior queijo brie que vi na minha vida era servido quente com fatias de maçã verde).
a orquídea da foto está sendo desidratada neste instante para futuras experiências.
rabiscos no paint, que continua o meu programa preferido para web-coisas.

POTS

o meu blog nunca teve tantas visitas como estes tempos, graças ao senhor Marcus Grande Abóbora, que me citou num post. ironicamente, coincidiu com uma fase de poucas palavras que penso não atrair muitas pessoas. elas vêm e se vão logo em seguida. mas melhor: sinto que não tenho lá muito jeito para escrever a um público maior que dez pessoas.
semana próxima volto com os textos.

os pombos paulistanos

20080401

é primeiro de abril e a única pessoa que enganei foi a mim mesma.

20080331

cirrate octopod

20080325

daquele site lá de letras


como brasileira, eu enfrento um dilema: sinto-me bem por fazer parte da nata elevada e ter mais chances do que o resto, ou sinto-me mal pela média do nosso país ser tão inacreditavelmente medíocre? de qualquer maneira, é uma vergonha, assim como a juventude ter estagnado em legião urbana desde os anos oitenta. e pensando de novo, esse ranking foi montado pela população internauta brasileira, que já não é um número tão grande apesar de mais abastada, ou seja - a preferência geral da nação apática cai em coisas ainda mais baixas, tipo... o créu.

ontem estive pensando seriamente em sair daqui. amo são paulo, quero morar nela durante alguns anos (um já foi), mas sinto que não é a paragem final. eu não pertenço a este lugar, ele não é pra mim, mesmo me sabendo perdidamente brasileira. life is elsewhere.

20080322

el robot attaaaaack

há mais ou menos três semanas eu entrei numa nóia de que iria perder meu celular dentro de pouco tempo, e por isso tinha de anotar os números em qualquer outro canto, caso o dano fosse tal que não permitisse recuperar a agenda. tive a sensação de que chegava a hora de algo acontecer. peguei num caderno e caneta, comecei a escrever.
fui até a letra G. fiquei com preguiça depois de me dar conta que havia quase o triplo de contatos cujas letras iniciais estavam entre L e P (e mais R), o que significava que ia levar ainda muuuuito tempo até passar tudo a limpo. amanhã eu faço, pensei. aham.
num dia aleatório da semana seguinte eu estava com uma garrafa de água no meu quarto, aqui ao meu lado. desastrada como sou (só dentro de casa - é um fenômeno curioso, sinto que sou espaçosa demais pra quatro paredes), bati a mão na garrafa. ela ficou um segundo virada, mas foi o suficiente pra que se formassem várias poças em cima do revestimento de plástico já com goivadas que por sorte não atingiram a madeira. fui à cozinha pegar um pano e enxugar aquilo, antes que escorresse pra algum aparato eletrônico.


o problema foi que eu não vi uma das poças que estava bem ao lado do meu celular.

eu o abri, tirei a bateria, tirei o chip, sequei - mas já era tarde. a água enfiltrara-se lá dentro e ele foi morrendo aos poucos. primeiro a tela, depois as luzes do teclado entraram em curto. ainda ligava, mas na manhã seguinte, quando o peguei em minhas mãos, senti que estava gelado. nunca mais deu outro sinal de vida.
levei uma semana até tomar vergonha na cara e ir comprar outro. domingão de chuva fui eu andando até o shopping paulista. a loja da TIM é praticamente escondida, e esperei vinte minutos sentada no pufe cúbico até que o atendente lindo, em quem eu estava de olho desde que entrara, me chamou.

- então, aconteceu o seguinte, ---------- e vou fazer tudo de novo, do zero, outro conta, outro número (desta vez de são paulo), outro aparelho.
- ok, você me empresta o RG, CIC e comprovante de residência?
- haaa, comprovante de residência?
- é, é o procedimento pra pós-pago.
- ...eu volto amanhã.

ainda bem que depois encontrei a carol e o chico pra um choconhaque ali ao lado, senão teria ficado fodida por perder a viagem, e ainda pensar que talvez amanhã não pegasse o atendente lindo.
de fato... foi um gordo com uma pele meio escamosa chamado tiago quem me atendeu no dia a seguir. fiquei mais ou menos 2h esperando o procedimento todo, que estava algo precário porque a loja estava sem sistema há dias. o que era pra ter levado 10min, durou 1h30. a pior parte foi escolher dentre os aparelhos. eu gostava do meu V3i, era um intermediário entre os que só fazem ligações e os que passeiam com o seu cachorro, e ainda era flip top - detesto teclados desprotegidos, tem que ficar bloqueando e não tenho paciência pra isso.
eu não sei o que se passou. depois de ver e rever exaustivamente vários modelos e percebendo que eu só me atraía pelos salgados, acabei escolhendo um que tinha o preço médio entre os mais baratos e os mais caros - o que não significa que foi pouco. quase over the top, eu diria, mas só quase. ele é de slide! nem sei se é esse mesmo o termo, mas é tão divertido dizer sliiiiiiiiiide...
saí da loja e fui à praça de alimentação. enquanto terminava de comer, vi que a quarentona da mesa diagonal acendera um cigarro na maior cara de pau. acho que é proibido fumar em shopping há uns dez anos, então nunca pude aproveitar a época de ouro. a princípio fiquei com invejinha da ousadia dela. depois percebi que não ia demorar muito até vir alguma das mil faxineiras dizer que era proibido e apontar o lixo mais próximo. só que não! ela fumou tranquilamente e ninguém apareceu.
minha refeição teria sido muito mais feliz se fosse encerrada com um cigarro, pensei.
aliás, toda a experiência shopping seria muito mais feliz se incluísse cigarros here and there. depois de esperar 2h ouvindo uma musiquinha irritante e torcendo pra que a mulher viesse me atender do outro lado da linha no próximo instante, acho que toda ansiedade foi canalizada e pronto - um surto de compra. gastei uma porrada de dinheiro numa merda de um celular.
é assim que os centros comerciais obtêm seus maiores lucros: eles privam os fumantes de nicotina e do ato de fumar durante umas horas e transformam-nos em shopaholics momentâneos em potencial. ingênuos os que acham que é só uma questão de saúde pública...
e eu ainda estou em choque com o tanto de tecnologia que carrego em minhas mãos. depois do contador de passos pensei que não podia haver mais nada - pois sim, ele é agora também o meu mais novo controle do windows media player! onde este mundo vai parar? temo muito tudo isso. não quero ser corrompida! que diabo, eu até que estava feliz sem celular. odeio estar gostando tanto, isso tudo é tão fútil e supérfluo que eu me sinto culpada carregando um troço assim no bolso enquanto vejo gente morrendo de fome nas ruas. mas o que eles ganhariam se eu tivesse comprado um celular mais barato?
ganhei também um zippo novo. é gravado, como o outro, só que dos dois lados e com um padrão ornamental de ramos que me faz pensar que ele pertenceu a algum barão do café do séc. XIX, apesar dos zippos só terem surgido na década de 30 do século passado. ele é mais feminino que o outro de flocos de neve, mas este, por enquanto... simplesmente me parece uma sombra, uma invocação, uma aparição do desaparecido silent night, tentando cobrir a lacuna com o mesmo brilho, formato e clique, but it's not quite the same... como um tributo, uma homenagem à lembrança do antigo. vamos ver se isso se dissolve com o tempo.

20080320

mais uma.


aumentada muuuitas vezes... na realidade ela tem mais ou menos 2cm de envergadura. nada como ter um macro bom.

20080319

balanço do dia: 10527 passos, ou 9.6km

esse contador de passos que existe no meu celular novo vai revolucionar minha vida.

20080316

love bravenet

interessante ir lá checar os referrers (sempre há algo estúpido do tipo busca por "sexo gays alemães", "hbo masturbação"), e qual não foi minha surpresa ao me deparar com...


"por quem a trixie ta apaixonada".



só falta saber se é a trixie do speed racer ou a dos padrinhos mágicos.

20080315

from my window



al. joaquim eugênio de lima, lado centro, aproximadamente 11 da noite (agora de pouco), vista do nono andar.

20080310

do ausente ao ocupado.

20080308

artrópodes do Instituto de Artes

aquele lugar possui uma biodiversidade incrível. vira e mexe cai um bicho bizarro no meu ombro, e resolvi ir fazendo uma pequena coletânea deles - porque quando mudarmos para a barra funda cinza e industrial, eles não nos acompanharão.



uma das primeiras - a mariposa que repousou numa planta do átrio durante quase um mês.



esta é das borboletas mais comuns...

...e logo já vem outra.


eu apaixonei-me por esta aranha minúscula e transparente.

no começo ela ficou meio cabreira. escondia-se e tal, pulava na minha câmera...


mas depois que percebeu que não lhe faria mal, até começou a posar e deu-me esta foto, uma das minhas preferidas dentre as que tirei de aracnídeos. ela realmente interage com o observador.


uma vespinha em cima da mesa da cantina.

a princípio, parece uma aranha com três segmentos corporais. mas não, não pode, aranhas possuem cefalotórax! mas que raio?

foi um momento selvagem animal planet: uma pequena aranha rajada e peluda, tão grande quanto a unha do indicador, come outra aranha menor ainda, translúcida. era essa a outra cabeça meio escondida, e nesta foto dá até pra ver as patinhas da presa. triste fim documentado.

o que primeiro chamou nossa atenção foi a teia, construída durante estas férias, cinco vezes maior que o fragmento da foto.


depois vimos que yah, uma aranha de porte razoável que a fez. tamanho de uma mão de envergadura.


e venenosa, ainda por cima - olhem pro amarelo e as pintas alarmantes.



disseram que está com ovos, e vê-se uma reserva de moscas embaladinhas. com o tamanho e complexidade daquela teia não há erro...

por enquanto é isso. já vi milhões de outros que não fotografei, até julho espero ter muitos mais. e sim, cheguei muito perto de todos eles para as fotos.

self-portrait II


depois de alguns retoques e de feita a borda. tirei a foto (scanner só em campinas) com uma luz em cima para ficar mais visível que o fundo é cobre. usei tantos materiais que a minha etiqueta na exposição vai ser a maior de todas.

a pele é pastel seco esfumaçado, o cabelo é pastel seco riscado. detalhes em preto foram feitos com lápis de carbono. o fundo é nanquim sépia misturado com tinta acrílica dourada, que deu esse cobre fantástico. queria um efeito meio bizantino e ia usar só dourado no início, mas achei muito tacky (e continuo achando mesmo com o cobre, que é maravilhoso por si, mas aplicado é outra coisa). a minha blusa é feita de crayon vermelho e verde, caneta de nanquim descartável preto e caneta dourada. o suporte é papel vegetal (que é translúcido) cosido a um papel debret branco meio queimado, formando a borda. no fim, até ficou parecendo que o retrato é rendado em volta.




há qualquer coisa nele que me incomoda. não tou nada satisfeita. queria mais desconstruído.

daqui a uns dias posto um diferente. ou quem sabe tambem o resto dos auto-retratos de minha classe, que vamos expor semana que vem pra recepcionar os bixos.

20080305

self-portrait I


20080301

lixo?


20080227

take-- the oregon short line to salt lake

o intervalo entre 03:22 a 5:01 de mason city. e por que não o blueberry boat inteiro? ouçam. não é possível descrever o conto de fadas sinistro que é esse álbum esquizofrênico. é ele que tem me salvado sucessivamente na última semana. tenham paciência - algumas músicas vão mesmo parece dignas de se passar, mas de repente aparece um piano dissonante irresistível que faz valer a pena absorver os barulhos irritantes e refrões um pouco enjoativos. no fim tudo se funde, e cada parte de blueberry boat torna-se harmônica e essencial. ou quase - o clímax é no começo, o que acaba fazendo de faixas como 'birdie brain' dispensáveis depois das mind-blowing 'quay cur' e a faixa-título. chris michaels e mason city estão algo no meio, um bocadinho ressacadas, mas devo dizer que adoro todas as mudanças aparentemente sem sentido de andamento e melodia, e em especial o trecho em particular que citei no começo. se bem que é injusto falar de um trecho só com tantas passagens out of the blue que pintam cenas que não pensava serem possíveis... o álbum terminaria muito bem em 'turning round', mas 'wolf notes' acabou por ser um anexo adorável. depois de alguns anos a ouvi-lo, em viagens, antes de dormir, dormindo, enfim, em diversas situações, ele ainda me surpreende e encanta, primeiro deixando minha mente vazia para depois enchê-la com histórias esquisitas que sempre estiveram perdidas nalgum lugar da minha memória.

20080225

maybe we're the aliens

a comunidade da banda tam! no orkut contava com quatro pessoas: eu, william, giovana e beano (ou murphy, ou... o seu nome verdadeiro que já não me lembro qual é). o william havia me passado uma música deles há anos, chamada aliens, e tínhamos plena certeza de que éramos os únicos a conhecer a banda - até encontrarmos... o murphy. ele é um verdadeiro music geek. não tem mesmo mais nada pra fazer a não ser ficar digitando qualquer coisa no soulseek e lotando o HD. conversando com o sujeito, descobri que ele também só tinha as mesmas músicas que eu - aliens, a versão normal E acústica - e havia criado a comunidade pra ver se alguém mais conhecia. qualquer outra coisa era impossível de se achar. só sabíamos que a banda realmente existia porque havia uma citação ou outra pelas páginas gringas (três no máximo). uma delas dizia que o nome tam! era por causa do frontman, tam treaner; isso nos dava forças para continuar em frente. já éramos três, desesperados por qualquer informação que fosse do maldito tam!, quando surgiu lá do nada a giovana, uma antiga amiga e bandmate minha.
eu na época já estava fodida com ela por causa de fiery furnaces (longa história, eu juro, não foi tão idiota quanto parece) e achei o cúmulo ela começar de novo com a mesma coisa, agora com tam!. o que ela conhecia deles? só aliens, também. não havia muito mais que fazer dessa vez.
passaram-se os anos.
um dia desses, na casa do will, puxei o assunto da música. ele me disse que havia visto um vídeo uma vez, mas nunca mais achou de novo. eu pensava que eram só os delírios dele - até agora de pouco.

TAM! - aliens (vídeo)

mas a história não acabou nisso, na verdade - pouco tempo depois, eu voltei à casa do will. estávamos conversando e ele disse algo como:
- aaaah mas a saraiva num é tão ruim tótinha, eu encontrei o cd do tam! lá
- QUEEE CD DO TAM!?
- o que eu tenho aí! foi dele que eu tirei aliens mano, comprei na saraiva um dia do nada, nem sabia o que que era HAUhuahauihIUua
- VOCÊ NUNCA ME DISSE QUE TINHA UM CD DO TAM!.
- aaaah é que eu num curti tanto as outras músicas, só aliens
- deixa-me ouvir agora!!!!

(...)

- hmmm... é mesmo uma merda. ainda bem que eles botaram aí uma reprise acústica de aliens.

20080221


20080219

pessoas que metem . - ' e afins no começo do nick do msn só pra aparecerem no topo da lista:

faço questão de não falar com vocês exatamente por esse motivo. saibam que estão todos juntos no meu grupo Z.

20080216

(estou de férias, ok?)

20080126

MEDO



20080123

03 .10 . 06 - 22 . 01 . 08


de luto. lágrimas ao rever a primeira foto do dia em que foi comprado. espero que esteja num lugar com alguém melhor, que limpe os riscos, ajuste a tampa e troque o pavio.
cedo ou tarde ia acontecer - estou mesmo fadada.

nunca haverá outro igual.

20080117

sonhos

08.01.08

tatuando o antebraço esquerdo INTEIRO com flores. meu escaravelho não existia. arrependi-me ao meio do processo.

09.01.08

eram cinco da manhã. rivalidade(?). mamã fez gelatina com ingredientes estranhos para alguém, eu fiquei com ciúmes e a mandei fazer não sei quê. muitos meios-irmãos. um dia, cheguei em casa (de minha tia) e estavam todos contra mim e um irmão menor - acho -, esperando com uma emboscada. eu tomei a dianteira para lutar e protegê-lo. eles haviam convencido uma meia-irmã que sempre foi sussa a se voltar contra nós também, mas eu sabia algo de importante sobre eles que me dava vantagem porque havia ouvido sem querer noutra ocasião (sonho). guerra, guerra, guerra. peguei as pedras do volpi (meu labrador de campinas que tem a mania de pegar as pedras do vaso e deixá-las pelo chão) para jogar nos meus meios-irmãos, atiraram-me tachas na nuca com uma máquina. senti cada uma delas entrando surdamente e se alojando perto das minhas vértebras. caí na entrada do corredor.

- enquanto tou caída é covardia!

momento de suspensão. eu me levantei rapidamente e peguei muitos talheres pra me defender, planejando jogá-los. uma meia-irmã veio pegar um garfo e uma faca da minha mão pra comer a sobremesa, ao que gritei EI!, e depois - ha é, você tá do nosso lado né, sempre. - YAH mas não conta pra eles.
eles = um menino e uma menina.
até que vieram todos do nada pegar meus garfos e facas pra comer sobremesa, e eu HÃN?, como, sobremesa, agora?, até que só sobrei com talheres de plástico ridículos.

- ok, isto é estúpido, devo estar sonhando.


16.01.08

uma sala gigantesca com piso de calçada, no que me parecia uma situação pós-apocalíptica de alguma espécie - carteiras viradas, objetos e ferramentas improvisados com outros objetos, e, ao meio, uma grande caixa cercada que servia não para proteger o que estava dentro - e sim os que estavam lá fora. todo mundo assustado, vozes chorosas, lamentos. uma pessoa ou outra às vezes me vinha perguntar se podia abrir a caixa, ao que eu lhe respondia energicamente:

- não!, e já expliquei MIL vezes o porquê! daqui a um tempo vocês estarão comendo os cérebros um do outro, é inevitável, e você AINDA quer abrir a merda da caixa? ora, por favor!

a pessoa calava-se, abaixava a cabeça e ia andando. num canto da sala estavam minha mãe e meu irmão, ele nadando numa pilha de lixo a emporcalhar-se todo, e ela gritando que ele ia ficar muito sujo.

- bia, o que faço com seu irmão? ele não sai daí, essas manchas depois...! E AS POMBAS?

olhei para o lado. as maiores pombas que já vi na minha vida, com mais ou menos um metro de envergadura, voavam e enfiavam a cara num outro monte de lixo enquanto batiam as asas com sofreguidão. estavam todas feridas, ensanguentadas, com as penas meladas e duras.
chegamos a comer os cérebros?



dentro de um carro, com a mãe também.

- não, por aí NÃO mãe, olha a porra da briga de skinheads ali à frente!

muitos rostos retorcidos, carecas e mais sangue. um deles se jogou no capô do carro.


encontrei, depois de 9 anos, um menino insuportável com que fazia catequese no patronato são francisco, e com quem nunca tive o costume de conversar - o caio.

- bia, quanto tempo!, a gente precisa fumar um e trocar idéia um dia desses.
- ha yah... (será que tenho tanta cara de maconheira assim?)



as termas! vapor imenso. estava eu lá me segurando na beirada de uma cachoeira artificial altíssima quando resolvi me soltar. qual não foi minha surpresa por não ter caído durante minutos pra depois atingir a água... e sim escorregado pra sempre numa ladeira de conchas gigantes sobrepostas (com o lado côncavo pra cima, de modo que cada concha era um escorregador curvo individual) dentre as muitas pessoas que ali se equilibravam, todas olhando pra mim confusas, a perguntarem-se - quem é essa idiota que nunca veio cá e faz tudo errado? olha o jeito como escorrega! tsc.


olhei para a vitrine e os papeizinhos empilhados com precisão no canto. não vou deixar meu telefone colado ao vidro, por mais que peçam. lá dentro, uma menina muito magra, cabelos loiros ondulados tão sujos que haviam endurecido numa posição não muito natural, pele morena manchada. ela fazia sinal com a mão para eu entrar na loja, eu estava com pressa e ignorei. ela começou a bater na vitrine e apontar para a pilha de papéis, pedindo para eu deixar meu telefone. mal virei-me e dei dois passos que já a vejo fora da loja, furiosa, agora sem o reflexo do vidro na cara: o seu olho direito era inteiro branco.

- EU TE DISSE PARA DEIXAR O NÚMERO DE TELEFONE!

agarrou-me pelo pescoço numa chave de braço e começou a bradir ameaças com o que parecia ser um dildo de vidro muito comprido, um dos lados espiralado como um cabo. as ameaças viraram grasnados (o hálito putrefato), o cabo do dildo quebrou-se ao meio. ela me soltou e desapareceu no ar.

...
- darling, you don't want to miss lunch!

abri os olhos, virei minha cabeça e minha tia estava ali parada no meu quarto. já deviam ser mais de 1 da tarde, eu havia acordado às 11, dormido de novo e quase perdido a hora do almoço. pensei meio segundo sobre a mania da minha tia em me acordar falando inglês e voltei a falar no celular com a minha mãe, deitada na cama, debaixo das cobertas.

- mas você não tava dormindo quando ela entrou aí pra te chamar?
- não né, só tava deitada aqui. agora deixa-me ir que preciso almoçar.

nisso, dormi outra vez.



acordei não sei quanto tempo depois, desesperada porque todo mundo já devia estar almoçando, ou terminado de almoçar, e eu não tinha conseguido sequer levantar. resolvi esperar um pouco dentro do quarto até meus tios voltarem para o escritório e eu comer em paz sem ninguém falando que sou preguiçosa. foi quando olhei para o chão e... vi ali meu cachecol que deixo no vão da porta com o chão quando a fecho, para saber se alguém entrou no meu quarto enquanto dormia e prevenir que certos odores vão para o corredor. estava como eu o havia deixado. no meio segundo em que apercebi-me que minha tia nunca havia entrado, nunca me chamado em inglês pro almoço, e eu nunca havia falado no celular... vem a empregada, francisca, bater na porta pra me avisar que o almoço estava quase pronto e meus tios iam chegar dali a pouco.
fui desperta pela minha tia e quando ela saiu do quarto eu voltei a falar com a minha mãe? claro que não podia ser realidade. também achava que realmente havia encontrado o caio. tenho mesmo de me habituar novamente a fazer reality checks, eles estavam quase funcionando.

20080116

paisagem

20080112

PMS

tudo bem elas tomarem a sala e a copa e a cozinha com seus preciosos amigos, deixando-me confinada ao quarto desde a uma da tarde (são nove da noite), impedida de comer. pra isso eu não ligo. MAS COMER O MEU MIOJO BARBECUE HOT QUE EU TROUXE ESPECIALMENTE DE CAMPINAS?????


ISSO ME TIRA DO SÉRIO.

se tudo mais falhar...


...vou-me embora para ubatuba vender artesanato. ou então pra gringa, eles devem curtir uns trabalhos manuais brasucas - posso dizer que vem da favela ou do sertão. não, dos índios! se é que há romãs na flora amazônica, acho que não. mas eles não precisam saber disso. oooou, se souberem, digo que a imagem veio misteriosamente num ritual mágico de uma das tribos mais antigas do amazonas.
argila e tinta acrílica.

20080109

dreams that money can buy

aniversário com família é sempre loser. foi mais ainda porque os garçons do restaurante em que almoçamos vieram todos cantar parabéns com as luzes apagadas e um petit gateau, que dei ao meu irmão de bom grado. mas verdade seja dita: loser ou não, só queria que me deixassem em paz. felizmente o número de ligações diminui a cada ano que passa.
bom, depois do almoço fomos eu, ele e mamã à fnac, como é de costume. eu estava entre três dvds: diário de uma garota perdida, com a louise brooks, que nunca vi pra comprar nem alugar em lugar algum da terra; eu, você e todos nós, a que não assisti mas recebi recomendações extremamente positivas, e gosto às vezes de pegar coisas que não conheço; e... o volume 6 da coleção cinema avant-garde, de que já comprei o 5 (de oito).
por eliminatória, fiquei com o último.
essa coleção reúne longas e curtas desde os primóridos do cinema, no fim do séc. XIX, e atravessa o séc. XX com experimentalismos e vanguardas respectivos de cada época. o volume 5 me havia surpreendido; comprei sem conhecer nada do que ali estava, mas já o primeiro curta me prendeu a atenção - chama-se annabelle dances and dances, de 1894, um dos primeiros registros do cinema e o primeiro de dança. annabelle usa um vestido que possui prolongamentos na barra que se prendem a varinhas em suas mãos, e, conforme os movimentos treinados à exaustão, o tecido pode se transformar facilmente em asas de borboleta, movimentos espiralados e outros padrões. a má resolução e os efeitos primários de colorização só adicionam uma beleza etérea às cenas, sem contar a música de fundo que tem qualquer coisa de perturbadora. (obs. o link que deixei mostra só um pequenino trecho e com outra música.) mais pra frente, temos experiências com luz, filmes rodados ao contrário, efeitos de levitação e até um curta expressionista da queda da casa de usher, de edgar allan poe.
pensando nisso tudo, não era de se surpreender que também fosse gostar do volume 6. confesso, ainda não o vi inteiro - mas só o primeiro filme, dreams that money can buy, de 1947, já vale a pena sentar cá e escrever. o cigarro caiu de minha boca logo nos letreiros: direção de hans richter (um dada-surrealista), com a colaboração de max ernst. a música tem também a colaboração de john cage, um dos grandes nomes da música erudita de vanguarda. só para mostrar como o cara é importante, pensem que mesmo num curso de artes visuais aprendemos sobre ele.
max ernst? nem sabia que ele havia feito um filme! a atenção foi ainda mais aguçada. como já disse e vocês perceberam, o max tornou-se um pai para mim. não o único, mas o mais presente e influente nestes últimos períodos de minha vida. segue o filme.
sépia. em minha modesta opinião, é preferível a preto-e-branco. os tons de castanho têm algo fascinante. começam os devaneios de um artista, que de repente entra em contato consigo mesmo encarando seus olhos fixamente. sente-se pronto para então ajudar os outros a darem vazão ao que corre nas profundezas de cada um, claro, ganhar um pouco de dinheiro com isso. escolhe ser negociante de sonhos. o monólogo não é em absoluto complexo e impenetrável, muito pelo contrário. é enxuto e tão explícito que chega a provocar um pouco a nossa capacidade de compreensão. mas, como ficaria provado até o fim do longa, isso não é em nada um defeito.
até podia-se confundir com um filme noir: a voz da consciência em off, e o que parece ser um detetive em seu escritório. um pouco mais pra frente, no entanto, a coisa fica um pouco diferente quando vemos que só há a voz da consciência; as personagens encontram-se e têm diálogos em suas próprias cabeças. e o negociante de sonhos exerce sua profissão, olhando fundo nos olhos de cada cliente para perceber suas ânsias. os primeiros clientes são Mr e Mrs A. ela reclama que o marido não possui nem vícios nem virtudes. ela quer que seus horizontes sejam ampliados. e em então entra Mr A. nalguns momentos vemos flashes de obras de max como o romance-colagem uma semana de bondade, e o quadro o vestimento da noiva, como rápidas olhadas no que se passa na mente do cliente.
começam os sonhos - em cores. o primeiro, desire, é uma história de amor de uma calma furiosa, concebida por max ernst. uma mulher deitada numa cama vermelha sopra uma bola dourada, deixando-a chegar perto da boca para depois soprá-la mais pra cima, até que é engolida. a moça sorri e adormece. they talked about love and pleasure... a cenas se sobrepõem até que---- max em pessoa faz uma aparição negra e misteriosa como le president, tão sorrateira como onipresente, parecendo exercer um controle calado sobre tudo. o filme continua delicioso, com cenas surrealistas das mais variadas, e os diálogos em off. em seguida, temos girl with the prefabricated heart, um musical bizarro usando manequins, criticando os romances hollywoodianos e, ao mesmo tempo, glorificando e caçoando o feminismo. delírio de fernand léger, pintor francês. (pena que o trecho do link não mostra a manequim na bicicleta, que é a parte medonha.) e então chega man ray com ruth roses and revolvers, fazendo uma platéia imitar o que ia acontecendo no filme a que assistiam para mostrar a susceptibilidade do público. faz uma pequena aparição numa foto. e depois marcel duchamp com discs, que possui uma versão cinematográfica de seu nu descendo a escada, além de incômodos discos girantes que hipnotizam.



discs, de duchamp, com música de john cage.

alexander calder fica responsável por duas sequências: ballet, e circus. o último foi inteiro montado com objetos, que possuem uma estrutura que permite movimento, sem contudo serem mecanizados. adorável para pessoas como eu, que acham que objetos têm mais sentimentos que muitas pessoas por aí. este pequeno filme de 1961 com o próprio calder, le cirque, mostra bem o que quero dizer. narcissus, do próprio hans richter, fecha o filme com o sonho mais longo estrelando o próprio negociante de sonhos, que se torna o homem azul durante uma partida de poker. mostra o isolamento de que sofrem os artistas e, no contexto, a humanidade após a guerra. como as raízes foram cortadas, o futuro pode ser ao mesmo tempo excitante e amendrontador.
as falas não são as mais poéticas do mundo, mas para quê, com todas as imagens e sequências fascinantes que nos deixaram os vanguardistas? é escancaradamente experimental, mas quem se importa? tenho mais é de agradecer ao max por me ter encaminhado a essa pérola perdida no tempo. melhor presente de todos, max, obrigada.


(sim, é isso, eu não tenho dúvidas de que ele é meu mentor do além e enviou-me o filme de propósito.)